Reinaldo

Atacante
522 Jogos Oficiais
6 Títulos Oficiais
271 Gols Marcados
José Reinaldo de Lima Brasil - Ponte Nova - MG
Nascimento 10 de janeiro de 1957
Falecimento -
Apelidos Rei do Mineirão
Carreira Início: (1973) Atlético Mineirão
Término: (1988) Telstar (HOL)
Características Ambidestro
Altura: 1,72 m
Posição / Outras posições Atacante / Centroavante
Bola de prata

1977, 1983

Perfil / Estilo do jogador

De punhos cerrados contra a Ditadura Militar e o pé certeiro contra os adversários, Reinaldo era um atacante completo, com um faro de gol e finalizações impressionantes, além de muita habilidade para driblar qualquer zagueiro. Como centroavante, se tornou o maior ídolo da história do Atlético Mineiro e maior artilheiro da equipe, com um total de 255 gols. Como se não bastasse, ainda é o maior artilheiro da história do Mineirão com 152, sendo reconhecido de maneira merecida como o "Rei do Mineirão". Infelizmente, encerrou a carreira ainda jovem, com apenas 31 anos, por conta de constantes lesões.

Categoria de base

Data Clube    
1971-1973 Atlético Mineiro    

Clubes em que atuou

Data Clube Jogos Gols
1973-1985 Atlético Mineiro 475 255
1985 Palmeiras 6 0
1986 Rio Negro - AM 2 2
1986 Cruzeiro 2 0
1987 BK Hacken - SUE 0 0
1987-88 Telstar - HOL 0 0

Histórico pela Seleção

Ano Seleção Jogos Gols
1975-1985 Brasil 37 14

Conquistas por Clubes

Clube Título Temporada
Atlético Mineiro Campeonato Mineiro 1978,1979,1980,1981,1982,1983

Conquistas Individuais

Prêmio Ano Representando
Bola de Prata 1977 e 1983 Atlético Mineiro

Desempenho

0,51
Média
Gols por jogo
0,4
Média
Títulos / Anos de carreira (Profissional)
Força
4
Passe
3
Controle de Bola
4
Drible
4
Velocidade
4
Técnica
4
Finalização
5
Condicionamento Físico
2
Fundamentos Defensivos
1

Biografia

José Reinaldo de Lima: o Rei do Mineirão

Reinaldo José de Lima: ídolo do Galo!

Quem viu o futebol nos anos 1970 e 1980, com certeza viu um dos atacantes mais completos da história do futebol brasileiro, o homem de punhos cerrados, José Reinaldo de Lima. Com um poder de finalização impressionante e faro de gol, esse que é considerado um dos maiores ídolos da história do Club Atlético Mineiro, também contava com muita habilidade, sendo capaz de desconcertar qualquer beque com seus dribles. 

Reinaldo começou sua carreira no Galo em 1973, sendo promovido por nada menos que o lendário Telê Santana. Na época, o clube passava por um período de abundância, revelando também outros nomes que viram a se destacar com a camisa atleticana. Toninho Cerezo, Marinho, João Leite e Paulo Isidoro foram alguns dos nomes revelados naquele glorioso momento do Atlético Mineiro. 

Mesmo sendo revelado ainda no início dos anos 1970, Reinaldo viveu sua época de ouro com o Galo a partir de 1977, quando conquistou o vice-campeonato brasileiro. A partir dali, ele também conquistou o histórico hexacampeonato mineiro entre os anos de 1978 e 1983, além de mais um vice-campeonato nacional em 1980. 

Nesse meio tempo, como excelente centroavante que era, desandou a fazer gols, anotando um total 255 com a camisa atleticana, se tornando o maior artilheiro da história do clube. Além disso, Reinaldo é o maior goleador da história do Mineirão com 152 gols, fazendo jus ao apelido de “Rei do Mineirão”. 

Mas, por mais que fosse um goleador habilidoso, o jogador se aposentou cedo dos gramados, aos 31 anos, por conta de graves lesões com as quais conviveu boa parte da carreira. Depois disso, Reinaldo se voltou à vida política, ainda mais por se posicionar politicamente em assuntos importantes como ditadura e racismo. Não à toa, durante à carreira, homenageava, de punhos cerrados, o movimento dos Panteras Negras ao comemorar gols. 

Infância, histórico e inspirações

José Reinaldo de Lima nasceu no município de Ponte Nova, em Minas Gerais, no ano de 1957. Já em seus primeiros anos de vida, passou a tomar gosto pelo futebol jogando bola com os colegas nos campinhos ainda cedo, influenciado por seus irmãos que também eram jogadores. Inclusive, um deles, Mário, chegou a atuar no Botafogo-RJ e mais tarde quis levar o jovem Reinaldo para atuar no clube. 

Contudo, o destino do garoto era permanecer em Minas Gerais, primeiro para atuar no 1º de Maio, equipe de sua cidade natal, e depois no Atlético Mineiro. Sendo que essa transição de equipe ocorreu em 1971, quando conhecido como artilheiro em sua cidade com apenas 14 anos, Reinaldo despertou o interesse do técnico juvenil do Galo, Barbatana, que estava junto com a equipe em um amistoso em Ponte Alta. Mesmo sem ter jogado, pois participava de um desfile da Independência, o jovem já tinha seu nome bem falado para a cúpula atleticana. 

Naquele mesmo ano, Reinaldo foi pura explosão, já que chamou a atenção logo do técnico da equipe principal, Telê Santana. Em um jogo treino contra os profissionais, o jovem jogador roubou a cena e mostrou toda a sua habilidade, encantando o treinador atleticano. Dois anos depois, atuaria pela primeira vez na equipe profissional do Galo Mineiro. 

E tudo isso com inspiração de sobra, já que Reinaldo sempre foi um admirador do de Pelé, tendo inclusive, assistido à despedida do Rei do Futebol no Maracanã em 1971. Além disso, o jovem também sempre admirou Rivellino, no qual considerava comparável a Diego Armando Maradona.

 

1973-1985: Reinaldo surge no Atlético Mineiro para se tornar ídolo


Depois de dois anos entre os juvenis do Atlético Mineiro, o jovem José Reinaldo de Lima, estreou pelo profissional da equipe. No início daquele ano de 1973, com apenas 16 anos, Reinaldo foi convocado para atuar na Taça de Minas Gerais, e logo em sua estreia, com o Mineirão lotado, anotou um gol contra o Valério Doce. A partir dali, a torcida atleticana e a imprensa ficaram curiosos para saber quem era aquele garoto. 

Depois dessa atuação, Telê Santana o promoveu para atuar na equipe profissional do Atlético Mineiro. E mesmo com muito potencial, o jovem jogador logo sofreu o primeiro baque na carreira, a sua primeira grave lesão, tendo que operar o joelho, logo no Campeonato Brasileiro de 1973. Outras lesões voltariam a acompanhar a carreira do atleta, não o deixando mostrar todo o seu futebol. 

Porém, mesmo com lesões, Reinaldo ainda era um jogador diferenciado, e ao lado de outros craques como Paulo Isidoro, Toninho Cerezo, Marinho, Dário Pereira, Eder Aleixo e o goleiro João Leite, realizou importantes campanhas. Como por exemplo, dois vice-campeonatos brasileiros nos anos de 1977 e 1980. 

Títulos e recordes pelo Galo 

Já o primeiro título do jogador com a camisa atleticana foi o do Campeonato Mineiro de 1976, e de maneira invicta. A partir de 1978, viria o período de ouro de Reinaldo na competição, com a conquista de um total de seis títulos até o ano de 1983.

Reinaldo também foi eleito duas vezes Bola de Prata do Campeonato Brasileiro, em sua impecável campanha em 1977 e também em 1983. Na primeira ocasião, o jogador foi vice e na segunda, o Atlético Mineiro caiu na fase semifinal.

Após tamanha consagração, o jogador permaneceu no Atlético Mineiro por mais duas temporadas, encerrando sua passagem pelo em amistoso contra o AFC Ajax em 1985, em derrota por 4 a 1. Esse tempo foi mais do que suficiente para que Reinaldo quebrasse recordes na artilharia atleticana. Até porque, ele se tornou o maior goleador da história da equipe com 255 gols em 475 jogos, e também do Mineirão com 152 tentos, se tornando o Rei do Mineirão.

1977: Nasce a música “Rei, Rei, Rei, Reinaldo é nosso Rei”

Reinaldo se torna Rei no Atlético MG.

Depois de Edson Arantes do Nascimento, apenas outro jogador recebeu a alcunha de Rei, José Reinaldo de Lima. Sendo que seu reinado começou durante a campanha do Campeonato Brasileiro de 1977, competição na qual, o jogador foi o grande artilheiro com 28 gols em 18 jogos, média de gols de 1,55 por jogo, marca até hoje não superada. Além da chuteira de ouro, Ronaldo faturou a Bola de Prata de melhor atacante..

Porém, por mais que a atuação de Reinaldo tenha sido impecável, o Atlético Mineiro não faturou a competição, perdendo para o São Paulo FC na final apenas nos pênaltis, sem sequer ter perdido um jogo com a bola rolando. E justamente na final, o ídolo atleticano não atuou, no que muitos consideram uma das maiores injustiças do futebol, pois o jogador foi suspenso por uma agressão contra o Fast Club do Paraná. Na época, atribuíram essa suspensão a um esquema de corrupção na CBD para tirar o título do Galo. 

Os punhos cerrados em plena Ditadura 

Além de ter sido um jogador muito atuante dentro de campo, Reinaldo também era muito participativo em assuntos fora dos gramados, como racismo e a Ditadura Militar, que assolava o Brasil. Inspirado pelo Movimento dos Panteras Negras, que teve início no ano de 1966 nos EUA, Reinaldo comemorava seus gols com um gesto típico do grupo, erguendo o braço com punhos cerrados. 

Até mesmo por ser um questionador, muito atribuem o fato da suspensão de Reinaldo na final de 1977, justamente por esse fato. Ainda mais se levarmos em consideração que a ditadura tinha forte influência no futebol brasileiro.

 

1985: Passagem curta pelo Palmeiras já em um período combalido


Apagada passagem pelo Palmeiras.

As lesões custaram caro à carreira de Reinaldo, até porque, quando ele deixou o Atlético Mineiro, já estava com o joelho ainda pior. Mesmo assim, em 1985, ele acertou com o SE Palmeiras, equipe que na época vivia uma de suas piores fases, vivendo um período de entressafras em meio as suas Academias e a época da Parmalat. 

Com todas essas questões, Reinaldo permaneceu por apenas três meses no time palestrino, atuando em apenas seis partidas, com nenhum gol marcado. Sendo que o único ponto positivo da carreira do jogador enquanto ele esteve no Palmeiras foi a sua participação no movimento das “Diretas Já!”, em Belo Horizonte.

 

1986-1988: Fim de carreira abreviado por lesão e passagem por vários clubes


A carreira de José Reinaldo de Lima não foi nada fácil, até porque, no final dela, as lesões continuaram atrapalhando. Sendo assim, o jogador deixou o Palmeiras e foi tentar a sorte no Rio Negro do Amazonas em 1986. Porém, na equipe amazonense, Reinaldo atuou em apenas duas partidas e anotou dois gols, por não ter se adaptado à sua nova cidade. 

Na sequência, o jogador foi atuar no Cruzeiro EC, o maior rival do Atlético Mineiro. Na época, Reinaldo já pensava em parar, mas a boa oferta do presidente cruzeirense, o fez mudar de ideia. Apenas os atleticanos não gostaram da ideia e muitos até torceram o nariz para o atacante. 

Porém, apesar de não pensar em parar, Reinaldo atuou em apenas duas partidas com a camisa do Cruzeiro, sem anotar gols, justamente por problemas físicos. Logo depois, ele se mudou para o exterior para se tornar treinador, e sua primeira passagem foi na Suécia, onde foi convidado para jogar na equipe do BK Hacken. 

Mas, na equipe sueca, o jogador sequer atuou em um jogo oficial e logo depois se mudou para a Holanda para encerrar a carreira no Telstar, onde também não entrou em campo. Contudo, seu novo objetivo no país foi cumprido, até porque, Reinaldo assistiu os treinamentos de Johan Cruyff no Ajax FC e viu de perto craques como Ronald Koeman, Marco Van Basten e Frank Rijkaard.

 

Aposentadoria e carreira pós-aposentadoria


Reinaldo sendo homenageado pelo Atlético MG. 

Cansado de conviver com lesões, José Reinaldo de Lima encerrou a carreira oficialmente em 1988, quando atuava na Holanda, com apenas 31 anos de idade. Mas, naquela época, o então jogador já tinha planos para o seu futuro no futebol, tanto que a viagem na Europa ocorreu justamente para seus estudos como treinador. 

Com essa ideia, ao voltar ao Brasil, em 1991, o ídolo do Atlético Mineiro fundou o Belo Horizonte Futebol e Cultura. Nesse clube, sua ideia era de treinar jogadores e dar aulas de futebol, além de fornecer formação cultural, ensinando a cultura e outros idiomas.

Reinaldo só assumiu um time profissional de futebol como treinador em 1999, quando assumiu o Valério Doce, equipe que coincidentemente foi a sua primeira vítima no futebol. Já no ano de 2001, o então treinador assumiu o Mamoré, time também de Minas Gerais, mas permaneceu por apenas poucos meses no cargo. Sendo que seu retorno ao futebol na função só ocorreu em 2012, no Vila Nova e em 2014 no Ipatinga, mas ambas sem sucesso. 

Nesse meio tempo, enquanto era treinador, Reinaldo também construiu sua vida política, sendo que já em 1980 ajudou na formação do Partido dos Trabalhadores e se elegeu deputado federal. Nos anos seguintes, também se elegeu vereador por Belo Horizonte.

Atualmente, Reinaldo foi homenageado pelo Atlético Mineiro durante a conquista do Campeonato Brasileiro pelo clube em 2021. Tal homenagem ocorreu principalmente, por conta da sensação de injustiça contra o então jogador em 1977, e o bicampeonato do Galo lavou a alma de seu ídolo.

 

Reinaldo na seleção brasileira


Breve história de Reinaldo José de Lima na seleção brasileira.

José Reinaldo de Lima escreveu seus primeiros passos na seleção brasileira em 1975, ainda no início de carreira, com apenas 18 anos de idade. Sua primeira partida ocorreu na Copa América diante da Venezuela, com vitória do Brasil pelo placar de 4 a 0. Na competição, o jogador não saiu com o título, vendo o time canarinho cair na semifinal contra o Peru. 

Depois de sua primeira convocação, Reinaldo voltou a ser convocado em 1977, quando participou de alguns amistosos às vésperas da Copa do Mundo do ano seguinte. Inclusive, o jogador chegou a ser convocado para o mundial, mas as lesões o fizeram com que jogasse apenas três partidas. 

Ainda em pleno auge da carreira, Reinaldo voltou a ser convocado para o escrete canarinho em 1981, sendo um dos nomes cotados para a Copa de 1982 na Espanha. Porém, no que muitos acreditam em interferência de forças externas, em plena ditadura, o jogador não foi convocado para o mundial. 

Depois disso, seu retorno ao escrete só ocorreu em 1984, já em reta final de carreira. Já no ano seguinte, seu último com a camisa do Galo, Reinaldo foi convocado para a seleção brasileira pela última vez em amistoso contra o Chile. Na ocasião, o time brasileiro acabou sendo derrotado pelo placar de 2 a 1. No escrete, o jogador atuou durante 37 partidas e anotou 14 gols.

Copa de 1978: lesões e política impediram de jogar mais de três jogos

A vida política de José Reinaldo de Lima e suas constantes lesões foram o seu calcanhar de Aquiles ao longo da carreira. Foi assim na Copa do Mundo de 1978, disputada na Argentina, na qual o jogador foi convocado para ser titular. 

Reinaldo disputou as duas primeiras partidas daquela Copa, contra Suécia e Espanha, chegando a anotar um gol contra os suecos. Contudo, na segunda partida, o jogador se machucou e mesmo com esforços do técnico Claudio Coutinho para recuperá-lo com aparelhos avançados na época, ele se recuperou tarde demais. 

O atacante só se recuperou quando o Brasil já estava eliminado da competição, atuando na partida que valia o terceiro lugar contra a Itália. Na ocasião, a seleção brasileira venceu pelo placar de 2 a 1. Ao longo do mundial, quem havia ficado no lugar de Reinaldo foi Roberto Dinamite, que estava em pleno auge com a camisa do Vasco da Gama. 

Outra curiosidade é que para aquela competição, além da lesão, o jogador teria sido boicotado  por conta de seu posicionamento político que desagradava a ditadura militar. Porém, Claudio Coutinho bancou a permanência de Reinaldo. 

Posicionamento contra a ditadura quase trouxe complicações 

Em 1978, Reinaldo deu uma entrevista para o Jornal Movimento que desagradou a ditadura militar, para piorar, ele ainda comemorava seus gols de punhos cerrados, invocando o Movimento Panteras Negras. Portanto, desde aquele momento, o jogador passou a ser fichado pela ditadura. 

Já na Copa do Mundo de 1978, Reinaldo quase foi cortado, porém em 1982, não teve jeito, e mesmo em alta, o atleta ficou fora da lista de Telê Santana. Até hoje, muitos creditam essa não convocação pelo posicionamento do jogador contra a ditadura militar, ainda mais que a CBD era comandada por militares. 

Inclusive, em 1977, Reinaldo já havia ficado de fora da grande final do Campeonato Brasileiro, em um ato do Tribunal Desportivo que levanta suspeitas até hoje.

 

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