Cruzeiro EC

66 Títulos Oficiais
7.3 Milhões de Torcedores
Cruzeiro Esporte Clube
Cruzeiro Esporte ClubeBelo Horizonte - MG - Brasil
Fundação 01 de janeiro de 1921
Estádio / Capacidade Mineirão / 62.000
Apelidos Raposa, Zeiro, Maior de Minas, Cabuloso, Palestra, Time do Povo, Rei das Copas
Principais rivais Atlético Mineiro / América Mineiro
Apelido da torcida Cruzeirense / Palestra
Mascote Raposa
Libertadores

1976, 1997

Títulos conquistados pelo clube

Títulos Continentais

Competição Títulos Temporada
Copa Libertadores 2 1976, 1997
Supercopa Libertadores 2 1991, 1992
Recopa Sulamericana 1 1998
Copa Master da Supercopa 1 1995

Títulos Nacionais

Competição Títulos Temporada
Campeonato Brasileiro 4 1966, 2003, 2013, 2014
Copa do Brasil 6 1993, 1996, 2000, 2003, 2017, 2018

Títulos Regionais

Competição Títulos Temporada
Copa Sul-Minas 2 2001, 2002
Copa Centro-Oeste 1 1999
Campeonato Mineiro 38 1928, 1929, 1930, 1940, 1943, 1944, 1945, 1956, 1959, 1960, 1961, 1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975, 1977, 1984, 1987, 1990, 1992, 1994, 1996, 1997, 1998, 2003, 2004, 2006, 2008, 2009, 2011, 2014, 2018, 2019
Taça Minas Gerais 5 1973, 1982, 1983, 1984, 1985
Copa dos Campeões Mineiros 2 1991, 1999
Supercampeonato Mineiro 1 2002
Copa Belo Horizonte 1 1960

História

Fundação do Cruzeiro EC: nasce o cabuloso!

Cruzeiro EC no ano de sua fundação, em 1921.

O Cruzeiro Esporte Clube, ou Cruzeiro EC, foi fundado no dia 2 de janeiro de 1921, dentro de uma fábrica de materiais esportivos na cidade de Belo Horizonte. Porém, a equipe nasceu com outro nome, Palestra Itália, já que havia sido criada por um grupo de imigrantes italianos. Portanto, surgia a Sócietà Sportiva Palestra Itália, em uma reunião que contou com 95 sócios fundadores que gostariam de ter uma agremiação que atendesse apenas à colônia italiana.

O clube procurou atender italianos e descendentes das camadas mais pobres da sociedade, passando a ser chamado de Time do Povo. Mesmo com essa alcunha, apenas membros da colônia italiana poderiam vestir a camisa do time e essa medida perdurou até 1925. Inclusive, com a sua fundação, o Palestra Itália trouxe os jogadores do Yale, antigo clube da cidade que era composto por italianos. Esse fato causou um conflito entre os dois clubes, que passaram a rivalizar em campeonatos locais.

Porém, em 1942, o clube teve que se desprender um pouco mais de suas tradições italianas, sendo obrigado a mudar de nome. O Palestra Itália passou a se chamar Palestra Mineiro, por causa da Segunda Guerra Mundial, em que os italianos eram inimigos dos brasileiros.

Seguindo a lógica de se aproximar das tradições brasileiras, o presidente renomeou o clube como Ypiranga no mesmo ano. Algo que durou pouco tempo, pois o conselho definiu que a equipe fosse chamada de Cruzeiro Esporte Clube, em homenagem a constelação cruzeiro do sul. Mesmo com as mudanças, o time ainda manteve um pouco de suas origens italianas, incorporando a cor azul, em alusão a Casa de Sabóia, realeza italiana.

Símbolo, escudo e cores

O primeiro escudo do Cruzeiro EC foi criado em 1921, quando a equipe ainda se chamava Palestra Itália. O emblema do clube era formado por um losango vermelho e verde, com uma letra P no meio. Em 1927, a primeira mudança, ao invés da letra P centralizada, o time adotou as letras SSPI entrelaçadas.

Após a mudança de nome para Cruzeiro Esporte Clube, o time modificou seu escudo mais uma vez e de uma maneira mais radical. No centro do emblema, um circulo azul com a constelação cruzeiro do sul, com os nome “Esporte Clube Cruzeiro” em volta. Ao longo dos anos, esse símbolo pouco foi modificado, sendo muito semelhante ao qual conhecemos hoje.

1921-1960: Primeiras décadas do Cruzeiro EC

Cruzeiro EC em seu primeiro título local.

No ano de sua fundação, ainda como Palestra Itália, o clube se inscreveu na Liga Mineira de Desportos terrestres para participar do campeonato local. Seu primeiro jogo foi no dia 3 de abril de 1921, contra o Villa Nova, no estádio Prado Mineiro. O atacante Nani marcou os dois gols da partida que deram a vitória da equipe palestrina.

Nani foi o grande artilheiro na primeira temporada do clube e ao longo dos anos outros craques começaram a brilhar. Os atacantes Niginho e Piorra; o ponta esquerda Bengala: o zagueiro Caieirinha: o meia Carazo e o goleiro Geraldo II foram os ídolos da equipe nas primeiras décadas. Vale uma menção honrosa para o espanhol Carazo e Geraldo, que foram os primeiros destaques do time fora da colônia italiana.

Com esses exímios jogadores, o time conquistou 9 Campeonatos Mineiros, com direito a dois tricampeonatos, entre 1928 e 1930, além de 1943 e 1945. Dessa forma, a equipe passou a figurar entre os grandes do futebol nacional.

1928-1930 e 1943-1945: primeiros 2 tricampeonatos mineiros

O primeiro título do Cruzeiro EC veio no Campeonato Mineiro 1928, após a equipe tentar criar uma liga independente por causa de uma discussão com a Liga Mineira. A equipe repetiu a dose de conquistas nos dois anos seguintes, conseguindo seu primeiro tricampeonato logo de cara.

Foi no campeonato de 1928 que o clube aplicou a maior goleada de sua história, vencendo o Alves Nogueira de Sabará por 14 a 0. Naquele jogo o atacante Ninão marcou 10 gols, voltando a se destacar durante o tricampeonato cruzeirense. Além dele, seu irmão Niginho foi um grande destaque naquele período vitorioso, junto com Bengala, Piorra e Carazo.

No seu segundo tricampeonato, entre 1943 e 1945, o clube já ostentava o nome de Cruzeiro Esporte Clube. Apesar da presença do ídolo Niginho, o elenco da equipe estava bem modificado em relação aos anos anteriores, com a chegada de Geraldo II, Caierinha e o atacante Nogueirinha.

1945: Construção do Estádio JK e inicio da crise financeira

Em 1945, o Cruzeiro EC reinaugurou seu estádio com o nome de Jusselino Kubitscheck, que havia sido inaugurado em 1923 como Campo do Barro Preto. A nova nomeação do estádio foi em homenagem ao então governador de Minas Gerais, que anos depois viria a ser presidente do Brasil. Essa que foi a primeira casa de um clube construída sem ajuda do governo.

Uma história interessante sobre essa reinauguração é relacionada ao goleiro Geraldo II, já que ele trabalhava como pedreiro e ajudou na reforma do estádio. Além de ser um grande arqueiro, o ídolo cruzeirense ajudava até nos bastidores da equipe. Ele obviamente fez parte do jogo de inauguração do JK e viu sua equipe empatar em 1 a1 contra o Botafogo, com gol de Niginho para a celeste e Heleno de Freitas para o Fogão.

Porém, nem tudo eram flores para o Cruzeiro naquela época, pois a equipe passou por uma grave crise financeira após o tricampeonato mineiro em 1945. A solução encontrada dentro do clube foi investir em outros esportes além do futebol, o que atraiu novos sócios e aliviou as finanças.

Niginho como primeiro ídolo e importância da família Fantoni

Leonízio Fantoni, mais conhecido como Niginho chegou ao Cruzeiro EC em 1929 e conquistou 8 Campeonatos Mineiros com a equipe. Ele não apenas venceu esses títulos, como foi o principal protagonista, se tornando o primeiro grande ídolo cruzeirense. Se aposentou com a camisa celeste em 1946 e hoje é o terceiro maior artilheiro da história do clube.

O talento de Niginho era algo de família, pois os Fantoni eram conhecidos em revelar grandes jogadores de futebol. Além dele, seus irmãos João Fantoni (Ninão) e Orlando Fantoni, seu primo Otávio Fantoni (Nininho) e seus sobrinhos Benito e Fernando Fantoni aturam pelo Cruzeiro.

1962 – 1982: Era Felício Brandi e ascensão do Cruzeiro EC

Uns dos maiores elencos da história do Cruzeiro EC.

A partir de 1961, o Cruzeiro EC virou a chave em sua história, com a ajuda de seu novo presidente, Felício Brandi. Sob o seu comando, o clube conquistou títulos que atravessaram fronteiras. Além de vencer 11 Campeonatos Mineiros (com um pentacampeonato), a equipe celeste faturou a Taça Brasil de 1966 e o seu primeiro título de Libertadores em 1976. Passou em branco apenas em 1969, quando ficou com o vice no Roberto Gomes Pedrosa.

Aquela equipe contava com grandes jogadores em uma era tão vitoriosa. Na década de 1960 chegaram o goleiro Guilherme Plassmann, o zagueiro Fontana, os meias Wilson Piazza e Dirceu Lopes, além do atacante Tostão, o grande ídolo da equipe. Nos anos 1970, Palhinha, Joãozinho e Nelinho também assumiram o protagonismo do time.

Essa geração de ídolos cruzeirenses abriu as portas para o clube no cenário mundial, pois 3 de seus jogadores venceram a Copa do Mundo de 1970. Fontana, Piazza e Tostão foram responsáveis por exportar o nome do Cruzeiro EC para o mundo, fazendo com que a equipe fizesse várias excursões. A partir dali que o time começou a trilhar o caminho para a sua primeira conquista de Libertadores.

Além de títulos, a Raposa se estruturou em seus bastidores, já que passou a jogar no moderno estádio do Mineirão a partir dos anos 1960. Além de uma nova casa, o clube passou a treinar em um novo centro de treinamento em 1973, a Toca da Raposa, nome que era em alusão a seu mascote.

1965-1969: Era Mineirão e domínio em MG

Juntamente com a inauguração do estádio do Mineirão, o Cruzeiro viveu uma das melhores épocas de sua história, com um total domínio em Minas Gerais. O clube conquistou o seu inédito pentacampeonato mineiro, com campanhas expressivas, contando quase 20 vitórias por cada campeonato, que tinha 22 jogos.

A equipe era avassaladora e contava com o talento de Dirceu Lopes e Tostão, artilheiro do Campeonato Mineiro entre 1966 e 1968. O técnico Airton Moreira conseguiu montar um time rápido e ofensivo, uma máquina eficiente que não dava chance aos adversários. Nos anos seguintes, Orlando Fantoni e Gerson Santos deram continuidade ao trabalho, já que Airton deixou o clube por problemas de saúde.

O time base da Raposa era: Raul; Pedro Paulo, Willian (Fontana), Procópio e Neco; Piazza (Zé Carlos) e Dirceu Lopes: Natal, Tostão, Everaldo e Hilton Oliveira.

1966: Na primeira Taça Brasil, Cruzeiro de Tostão bate Santos de Pelé

O Cruzeiro EC já dominava o cenário do futebol mineiro, mas ainda faltava dar passos adiante e conquistar um título nacional. Foi justamente contra o Santos de Pelé que a Raposa faturou o seu primeiro Campeonato Brasileiro, a Taça Brasil de 1966.

Em seu elenco, o clube manteve a mesma base do pentacampeonato mineiro, sendo que Piazza, Dirceu Lopes e Tostão eram as referências. E ambos fizeram parte de um time que passou na primeira fase pelo Americano do Rio de Janeiro e Grêmio. Já na semifinal, a equipe celeste passou pelo Fluminense, com duas vitórias, 1 a 0 e 3 a 1.

Na grande final, o desafio parecia impossível, pois do outro lado estava o Santos de Pelé, que era tido como o melhor time do mundo. Porém Tostão e companhia conseguiram vencer as duas primeiras partidas por 4 a 3 e 3 a 2, no Mineirão e Pacaembu respectivamente.

No último jogo veio a grande vitória, um surpreendente 6 a 2, com um gol de Tostão, um de Natal, e 3 de Dirceu Lopes. O meia cruzeirense fez o santistas se renderem com sua grande atuação, que foi digna de um rei do futebol. Com essa primeira conquista do Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro conquistou mais torcedores e passou a ter a maior a torcida do estado.

Importância de Felicio Brandi, considerado o maior presidente do Cruzeiro EC

Durante os seus 22 anos como presidente do Cruzeiro, Felício Brandi escreveu seu nome na história do clube. Até porque, na sua gestão, o clube contou com uma geração estrelada de jogadores e conquistou títulos importantes, no âmbito nacional e continental.

E por falar nessa geração estrelada, foi Felício Brandi que contratou o craque Tostão, maior ídolo do Cruzeiro. O mandatário do clube, inclusive, chegou atrasado em seu próprio casamento, ao efetuar contratação do jogador.

Foi na sua gestão, que o Cruzeiro EC construiu o seu novo CT e obteve um maior número de torcedores, passando a ter a maior torcida do estado. Isso ocorreu, graças a uma sacada de marketing de Felício Brandi. O então mandatário do Cruzeiro passou a trabalhar em escolas infantis, doando cestas básicas, em um período de crise financeira no país. Mas, o curioso é que ele presenteava as crianças com itens que tinham alusão ao clube celeste, convertendo a sua nova legião de adeptos.

Por causa de seus grandes feitos junto ao clube, foi homenageado pela equipe celeste. Em 2020, o icônico mandatário cruzeirense teve seu nome dado ao CT do time de maneira oficial, que mudou o nome de Toca da Raposa para Felício Brandi.

Cruzeiro EC 1976: campeão da Libertadores!

Aquele grande time da Raposa estava conseguindo alçar voos cada vez mais altos, após dominar o futebol mineiro e conquistar a Taça Brasil de 1966. Por isso, a equipe sentiu que poderia conquistar algo a mais, o que seria a Libertadores da América. Até porque, o clube já era muito conhecido mundo a fora.

Porém, o Cruzeiro EC desencantou e conquistou a Libertadores de 1976, com um elenco um pouco mais modificado em relação às outras conquistas. O time base daquela equipe tinha Raúl; Nelinho, Morais, Darcy Menezes, Vanderley; Piazza, Zé Carlos e Ronaldo Drumond; Eduardo, Palhinha e Joãozinho; técnico: Zezé Moreira.

Com esse esquadrão, a equipe celeste passou com tranquilidade em um grupo que tinha Internacional de Paulo Roberto Falcão, Olímpia e Sportivo Luqueño do Paraguai. Na segunda fase, em mais um grupo, o Cruzeiro se classificou em primeiro, a frente de LDU e Alianza Lima. Com esse desempenho, o clube garantiu sua vaga na final contra o River Plate.

A parada não parecia fácil para o Cruzeiro, pois iria enfrentar um adversário que tinha os zagueiros Perfumo e Passarella, além dos atacantes Luque e Más. Mas logo no primeiro jogo da decisão, Nelinho e Valdo marcaram um gol cada e Palhinha anotou dois, em vitória fácil por 4 a 1, em casa. Na segunda partida, realizada na Argentina, o River não facilitou as coisas e venceu por 2 a 1.

No jogo decisivo, realizado no Estádio Nacional, em Santiago do Chile, o time cruzeirense venceu pelo apertado placar de 3 a 2. Nelinho, Eduardo e Joãozinho foram os autores dos gols que deu ao Cruzeiro EC o seu primeiro título de Libertadores.

No Mundial, derrota para o Bayern Munich de Beckenbauer

Derrota para o Bayern de Munique na final do mundial de 1976.

Com o título da Libertadores, o Cruzeiro EC se credenciou para a disputa da Copa Intercontinental daquele ano. Porém, do outro lado, o adversário era ainda mais difícil, pois se tratava do Bayern Munich de Franz Beckenbauer.

Na primeira partida na final daquele mundial, realizado na Alemanha, o frio abaixo de zero e a neve marcaram o encontro. A temperatura pode ter atrapalhado o desempenho do Cruzeiro, mas o fato é que o Bayern sobrou no jogo e venceu por 2 a 0, com gols de Kapellmann e Gerd Muller. No jogo de volta, no Mineirão, o confronto foi mais equilibrado, porém não saiu do 0 a 0, dando o título aos alemães.

1983 – 1990: Época com alguns títulos mineiros

Após décadas vencedoras, o Cruzeiro EC desmontou a sua equipe e grandes jogadores saíram. Portanto, o clube amargou um período difícil entre 1983 e 1990, com participações apagadas nas competições nacionais.

A Raposa fez contratações de jogadores inexpressivos que não estavam à altura do clube, deixando evidente a falta que fazia o presidente Felício Brandi. Dessa forma, a equipe conquistou apenas três Campeonatos Mineiros, vendo o seu grande rival Atlético MG dominar o cenário do futebol local.

1991 – 2003: Cruzeiro EC volta a ser destaque nacional e internacional

A fase apagada da equipe acabou no início dos anos 1990, depois disso a equipe voltaria ao seu período de glórias. Em nível estadual foram 6 Campeonatos Mineiro, e em escala nacional foram 2 Copas do Brasil e um Brasileiro. Para coroar esse período tão vitorioso, o Cruzeiro EC conquistou uma Libertadores em 1997 e 2 Supercopa Libertadores em 1991 e 1992.

Naquele período, Zezé Perrella havia assumido a presidência do clube e grandes jogadores passaram a fazer parte da Toca da Raposa. Jogadores como Elivelton, Palhinha, Renato Gaúcho, Dida, Marcelo Ramos, os volantes Ademir e Douglas, e o meia Ricardinho, foram os destaques da equipe naquela época gloriosa. Além deles, o fenômeno Ronaldo teve uma rápida passagem pelo time celeste, entre 1993 e 1994.

1993: 1ª Copa do Brasil Cruzeiro EC e o nascimento do “Rei das Copas”

Apesar de conquistas importantes, faltava na galeria do Cruzeiro EC o título da Copa do Brasil. Ele chegou em 1993, abrindo o caminho para mais conquistas da mesma competição nos anos posteriores, incluindo 1996, em decisão contra o forte time do Palmeiras.

O time comandado pelo técnico Pinheiro era composto por jogadores mais rodados no futebol nacional e por jovens que estavam em início de carreira. A base daquela equipe era: Paulo César; Paulo Roberto Costa, Célio Lúcio, Robson e Nonato; Ademir, Rogério Lage, Éder Aleixo; Roberto Gaúcho, Cleisson e Edenilson. O atacante Nivaldo e o volante Boiadeiro muitas vezes eram acionados.

Nas duas primeiras fases, o Cruzeiro passou pela Desportiva Espírito Santo e Náutico, sem muitos problemas. Apenas a equipe pernambucana de um susto no jogo de ida, após vencer por 1 a 0, mas o time celeste venceu por 2 a 0 na volta.

Jogos contra grandes equipes na reta final

Dessa forma, a equipe celeste teve que enfrentar o São Paulo nas quartas de finais. Porém, os tricolores estavam se dedicando a Libertadores e o Cruzeiro que não é bobo e nem nada se aproveitou da situação. Após vitória por 2 a 1 e empate em 1 a 1, a Raposa se classificou para encarar o Vasco da Gama na semifinal. No jogo de ida, o recém-chegado Edenílson marcou dois gols em vitória por 3 a 1. Na volta, em pleno Maracanã, os vascaínos abriram o placar, mas Paulo Roberto de falta empatou o jogo, dando vaga aos cruzeirenses para a grande final.

Na decisão, o Cruzeiro tinha o Grêmio pela frente, outra equipe que também viria a ser conhecida por conquistar muitas Copas. O primeiro jogo no Olímpico foi sem gols e a situação teria que ser resolvida no Mineirão. Tendo que decidir em casa, a Raposa não fez feio e venceu por 2 a 1, com gols de Roberto Gaúcho e Cleisson.

1993: Cruzeiro EC apresenta Ronaldo fenômeno ao mundo

Após o título da Copa do Brasil, o Cruzeiro revelou ao mundo um dos maiores jogadores de todos os tempos, Ronaldo. Ainda com 16 anos, o garoto marcou 12 gols, atuando em apenas 16 partidas, o que chamou a atenção de todos.

Em 1994, Ronaldo voltou a fazer grandes partidas, sendo decisivo na grande final do Campeonato Mineiro contra o Atlético Mineiro. Os atleticanos formaram uma equipe recheada de jogadores famosos, conhecida como “Selegalo”. Porém, o fenômeno não tomou conhecimento desse time e marcou 3 gols na decisão e garantiu a vitória cruzeirense por 3 a 1.

Grandes atuações não passariam despercebidas e o jovem jogador foi vendido para o PSV Eindhoven. A passagem do craque foi tão rápida como um cometa, como se fosse uma espécie fenômeno.

Cruzeiro EC 1997: Bi da Libertadores e decepção no Mundial

A 2ª conquista do cabuloso na Libertadores.

Após grandes conquistas durante os anos 1990, aquela geração vitoriosa do Cruzeiro EC ainda não havia vencido uma Libertadores. Porém, o título da competição não demorou em aparecer e os cruzeirenses ergueram o troféu em 1997.

Para essa conquista, o clube voltou a montar um forte esquadrão, com apenas poucos jogadores dos anos anteriores. O time de Paulo Autuori tinha Dida; Vitor, Gilson, Gottardo e Nonato; Fabinho Donizete, Ricardinho e Palhinha; Elivelton e Marcelo Ramos. Lembrando que o meia Palhinha veio do São Paulo e não é aquele que brilhou nos anos 1970 pelo Cruzeiro.

Mesmo com esse forte elenco, o Cruzeiro iniciou o ano de 1997 com dificuldade, após perder o técnico Levir Culpi.No inicio da Libertadores, a equipe começou mal na fase de grupos, perdendo 3 partidas. Porém, o time celeste se classificou em 2º lugar com nove pontos, passando ao lado de Sporting Cristal e Grêmio.

Nas oitavas de finais, a Raposa teve um confronto difícil contra o El Nacional do Equador e resolveu a disputa nos pênaltis. Nas quartas, um duelo difícil contra o velho conhecido Grêmio. No jogo de ida, no Mineirão, o Cruzeiro tratou de vencer por 2 a 0, com Elivelton marcando em apenas 1 minuto e Alex Mineiro fazendo o segundo gol. Na volta, os gaúchos venceram por 2 a 1, mas não foi o suficiente.

Na semifinal, a Raposa sofreu em mais uma disputa de pênaltis e dessa vez contra o Colo-Colo, mas mesmo assim garantiu vaga para a final. E novamente, o Sporting Cristal esteve à frente do Cruzeiro e o duelo foi difícil. Na ida, um 0 a 0 bem amarrado e na volta o time celeste venceu por apenas 1 a 0, com gol heroico de Elivelton na reta final da partida.

No mundial, derrota para o Borussia Dortmund

Na Copa Intercontinental no final do ano, o Cruzeiro perdeu alguns jogadores e mudou o seu elenco. Bebeto e Donizete Pantera passar a comandar o ataque da equipe e o meia Roberto Palacios também era novidade. No comando técnico, Paulo Autuori deu vaga a Nelsinho Baptista.

Com tantas mudanças, a Raposa não conseguiu o mesmo futebol técnico e brigador que teve na Libertadores, e falhou no mundial. Em jogo realizado em Tóquio, o Borussia Dortmund garantiu o título da competição sem muitos problemas, em vitória por 2 a0, com gols de Zorc e Heirinch.

Cruzeiro EC 2003: a conquista da Tríplice Coroa

No início dos anos 2000, o Cruzeiro reformulou o seu elenco e passou a contar com uma nova geração de jogadores. A equipe comandada por Vanderlei Luxemburgo tinha em seu elenco o zagueiro Luisão, os meia Alex e Zinho, além do atacante Aristizábal

Esses jogadores comandaram um elenco muito forte que contava com outras grandes estrelas. Gomes; Maicon, Maurinho, Cris e Luisão (Edu Dracena); Maldonado, Augusto Recife, (Felipe Melo), Alex e Zinho (Wendell); Aristizábal e Deivid formaram aquele esquadrão celeste. Esse time foi capaz de vencer o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, conseguindo a Tríplice Coroa.

Na Copa do Brasil, o time celeste conquistou a competição em cima do Flamengo, em vitória por 3 a 1 no Mineirão, com gols de Deivid, Aristizábal e Luisão. Já no Campeonato Mineiro, a equipe terminou em primeiro lugar com 7 pontos a frente do seu rival Atlético Mineiro.

Para coroar a Tríplice, o Cruzeiro EC venceu o Campeonato Brasileiro com uma marca impressionante de 100 pontos. A equipe manteve uma vantagem de 13 pontos a frente do jovem time do Santos. Alex foi o artilheiro do time celeste na competição, com 24 gols, um feito incrível para um meia.

Campeonatos Mineiros de 2008 e 2009: Cruzeiro 5 x 0 Atlético Mineiro

Após um período apagado após a Tríplice Coroa, o Cruzeiro EC voltou a ter uma forte equipe no cenário nacional apenas em 2008. O time conseguiu chegar à final da Libertadores de 2009, mas parou diante do Estudiantes de La Plata.

Apesar da derrota na Libertadores, esse forte time do Cruzeiro venceu o bicampeonato mineiro em 2008 e 2009. Nas duas ocasiões, a Raposa bateu seu maior rival, o Atlético Mineiro, em duas goleadas por 5 a 0. Algo que ficou marcado na história do confronto entre essas equipes.

Aquela equipe contou com importantes jogadores, como o goleiro Fábio, o lateral Gilberto, o zagueiro Gil e os atacantes Guerrón, Marcelo Moreno e Kléber Gladiador. Nesse período, Adilson Batista foi o técnico do time.

2010 – 2020: Grande destaque e derrocada

Elenco do Cruzeiro EC em 2014.

Na década mais recente da história do Cruzeiro EC, a equipe foi do céu ao inferno, conquistando 4 títulos nacionais e sendo rebaixada para série B. De 2010 até 2016, o time celeste conquistou 2 Campeonatos Brasileiros e 2 Copas do Brasil.

Durante esse período, Everton Ribeiro, Willian Bigode, De Arrascaeta, Lucas Silva, Dagoberto, Borges, e os zagueiro Léo e Dedé foram alguns dos destaques. Ambos tiveram a companhia do goleiro Fábio, que é um dos maiores ídolos da equipe, permanecendo mesmo na série B.

Cruzeiro EC 2013: Conquista do 3º brasileiro

Em 2013, o Cruzeiro EC passava por uma reformulação e passou a contar com novos jogadores como. Willian Bigode, Everton Ribeiro, Dedé e Ricardo Goulart. Esses craques lideraram a equipe rumo ao 3º título brasileiro para a equipe.

O time base da conquista tinha: Fábio; Dedé, Bruno Rodrigo (Léo), Ceará (Myke) e Egídio; Lucas Silva e Nilton; Everton Ribeiro (Alisson) e Ricardo Goulart; Borges e Dagoberto. A equipe era comandada pelo técnico Marcelo Oliveira.

Esse elenco de desacreditado passou a grande campeão, com 11 pontos a frente do vice-campeão Grêmio. Para se chegar a essa conquista, o esquadrão celeste teve excelentes atuações como por exemplo, nas goleadas contra o rival Atlético Mineiro, Goiás e Vitória. Além desses jogos a equipe bateu o São Paulo por 3 a 0, com um hat-trick do atacante Luan, que muitas vezes vinha do banco de reservas.

2014: Bicampeonato Brasileiro seguido

EC Cruzeiro conquista o 4º Campeonato Brasileiro.

Após vencer o Campeonato Brasileiro de 2013, o Cruzeiro manteve a sua base vitoriosa e ainda passou a contar com Marcelo Moreno para a disputa da temporada 2014. O resultado não poderia ser outro e a equipe conquistou o bicampeonato brasileiro naquele ano.

Marcelo Oliveira permaneceu no comando da equipe e viu seu elenco brilhar outra vez, fazendo mais uma campanha fora de série. A Raposa terminou 10 pontos a frente do São Paulo, que sequer chegou a brigar pelo título. Mesmo sem grandes goleadas como na temporada passada, o time celeste jogou um futebol consistente, digno de campeão, sem passar por muitos sustos.

Marcelo Moreno e Ricardo Goulart brigaram pela artilharia da competição, mas terminaram apenas na 3ª colocação atrás de Fred e Henrique Dourado. Porém Everton Ribeiro, em mais um ano inspirado, foi o líder de assistências da competição.

Porém, nem tudo foram flores para o Cruzeiro no final daquela temporada.  Já que o diretor Alexandre Mattos deixou a equipe e junto com ele saiu uma barca de jogadores. Apenas Everton Ribeiro, Dedé, Fábio, Alisson, Bruno Rodrigo e Lucas Silva permaneceram, sendo que alguns deles saíram pouco depois.

Cruzeiro EC 2017 e 2018: bicampeonato da Copa do Brasil

Depois das mudanças de elenco em 2014, uma nova geração vitoriosa levou o Cruzeiro ao caminho dos títulos. O clube passou a contar com Arrascaeta, Fred, Rafael Sóbis, Thiago Neves e o meia Robinho. Mano Menezes foi o técnico encarregado por comandar o Cruzeiro bicampeão da Copa do Brasil em 2017 e 2018.

Na conquista de 2017, o Cruzeiro EC bateu o Flamengo, em cobranças de pênaltis, após empates em 1 a 1 e 0 a 0. Arrascaeta foi o autor do gol cruzeirense na decisão e viu seus companheiros converterem todas as penalidades.

Mantendo praticamente o mesmo elenco, a Raposa voltou a vencer a Copa do Brasil, dessa vez contra outro time popular, o Corinthians. No jogo de ida, o Cruzeiro venceu em casa por 1 a 0, com gol de Thiago Neves. Na partida de volta, na Arena Corinthians, o alvinegro parecia esboçar uma reação ao virar o jogo para 2 a 1, porém o gol de Pedrinho foi anulado. Dessa forma, a Raposa se aproveitou e no contra-ataque marcou o tento que sacramentou o título.

Após esses dois títulos da Copa do Brasil, a equipe celeste conquistou a sua alcunha de “Rei das Copas”. Até porque a equipe se tornou a maior vencedora da competição, com 6 conquistas. Foi nesse período em que o time passou a receber outro apelido, cabuloso!

2019: Derrocada e primeiro rebaixamento na história

Cruzeiro EC é rebaixado em 2019, pela primeira vez.

Em 2019, a expectativa para o Cruzeiro era a melhor possível, já que a equipe havia vencido duas Copas do Brasil nos anos anteriores. O clube inclusive, era um dos grandes favoritos na conquista da Libertadores naquela temporada.

Porém, tudo começou a mudar quando a equipe foi eliminada pelo Boca Juniors nas oitavas de finais da Libertadores. O time estava mal no Campeonato Brasileiro, Mano Menezes deixou o clube e a crise financeira da equipe explodiu, resultando em atrasos de salários. O Cruzeiro havia contratado diversos jogadores, mesmo sem poder financeiro, fazendo diversas dívidas que não pode pagar.

O resultado disso foi o rebaixamento para a série B, de uma das poucas equipes que jamais haviam sido rebaixadas. Além disso, o clube sofreu um desmanche e foi banido pela FIFA de fazer contratações. Dessa forma, o Cruzeiro não conseguiu sair da segunda divisão em 2020, mesmo com a contratação de Felipão e vai jogar a competição novamente em 2021.

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Cruzeiro_Esporte_Clube#Palestra_Itália

https://cruzeiro.com.br/timeline

https://www.torcedores.com/noticias/2019/02/por-que-o-cruzeiro-e-chamado-de-cabuloso

https://cruzeiropedia.org/Escudos_do_Cruzeiro_Esporte_Clube

https://cruzeiropedia.org/Jo%C3%A3o_Lazzarotti

https://terceirotempo.uol.com.br/que-fim-levou/piorra-3866

https://terceirotempo.uol.com.br/que-fim-levou/geraldo-ii-954

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Carazo

https://terceirotempo.uol.com.br/que-fim-levou/caieira-203

https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dtalo_Fratezzi

https://www.cruzeiro.com.br/idolos

https://cruzeiropedia.org/Elenco_1929

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