Espanha

5 Títulos Oficiais
Federação espanhola de futebol
Seleção Espanhola
Principais rivais Itália / Portugal / Alemanha
Apelidos La Fúria, La Roja
Mascote Naranjito
Copa do Mundo

2010

Eurocopa

1964, 2008, 2012

Títulos conquistados

Títulos Mundiais

Competição Títulos Ano
Copa do Mundo 1 2010

Títulos Continentais

Competição Títulos Temporada
Eurocopa 3 1964, 2008, 2012

Outros títulos

Competição Títulos Ano
Jogos Olímpicos 1 1992

História

Seleção Espanhola de Futebol: a maior vencedora de Eurocopas

Seleção Espanhola de Futebolmaior vencedora da Eurocopa.

A Seleção Espanhola de Futebol se tornou uma das principais equipes nacionais do mundo nas últimas décadas. Ela acumulou dois títulos da Eurocopa e uma Copa do Mundo com uma geração simplesmente brilhante e que dominava seus adversários com uma massiva posse de bola.

Mesmo antes dessa geração vencedora, a Seleção Espanhola montou elencos considerados favoritos em algumas disputas, mas que no fim acabaram decepcionando. A partir da década de 1980, passou a figurar entre os primeiros em competições importantes, além de revelar jogadores que estiveram entre os principais nomes de suas gerações.

Após sua criação em 1920, os resultados e participações em importantes torneios não foram regulares. Não por apenas não conseguir se classificar dentro de campo, e sim por conflitos relacionados à Guerra Civil Espanhola que durou de 1936 até 1939, e consequentemente por conta de relações diplomáticas relacionadas à Ditadura de Francisco Franco e seu regime fascista.

Contudo, aos poucos a seleção espanhola conquistou seu espaço e recebeu os apelidos que a acompanham até hoje, “La Furia Roja” e “La Roja”. Sua primeira grande glória ocorreu em 1964 com a conquista da Eurocopa, que apenas voltou a se repetir nos eme 2008 e 2012. Com as três conquistas, a Espanha é a maior recordista em conquistas da Eurocopa, empatada com a seleção alemã.

Em Copas do Mundo, a Fúria chegou a apenas uma final, em 2010 e saiu vencedora na África do Sul, coroando uma geração e levantando seu principal troféu.

A geração bicampeã europeia e campeã mundial era composta por jogadores de Real Madrid e Barcelona principalmente. Mas, o estilo de jogo advinha dos catalães comandados pelo técnico “Pep” Guardiola, clube que era quase imbatível no período. Assim, a Seleção Espanhola se tornou a mais forte e temida do mundo, tendo no comando inicialmente Luis Aragonés (Eurocopa 2008) e depois Vicente Del Bosque (Copa do Mundo 2010 e Eurocopa 2012).

Surgimento e as primeiras décadas da Seleção Espanhola de Futebol

A Seleção Espanhola de Futebol foi criada para a disputa dos Jogos Olímpicos de 1920 na Antuérpia na Bélgica. A primeira partida do escrete espanhol foi justamente nos Jogos contra a Dinamarca, em 28 de agosto próximo a cidade de Bruxelas.

O resultado foi de 1 a 0 para os espanhóis e o gol foi marcado por Patricio Arabolaza, mas na fase seguinte, a derrota para os anfitriões levou a equipe para a disputa de um novo torneio que valia as medalhas de prata e de bronze. Na partida seguinte, frente a Seleção da Suécia, um lance envolvendo José Maria Belauste e sua grande força física que empurrou a bola, o goleiro sueco e três marcadores para o fundo das redes para igualar o placar, na vitória espanhola por 2 a 1.

O lance foi comparado com a o Saque de Antuérpia, ocorrido em 1576, quando o exército espanhol atacou a Bélgica e o saque ficou conhecido como “Fúria Espanhola na Antuérpia”. Isso levou um jornal local a colocar a manchete “La furia española” remetendo ao lance e a batalha de séculos antes e apelidando a Seleção Espanhola de Furia Roja.

Nas partidas seguintes, as vitórias contra Itália e Holanda deram a medalha de prata para a Seleção Espanhola, depois da desistência da Tchecoslováquia na partida final contra a Bélgica, que ficou com o ouro.

Nas Olímpiadas posteriores, em 1924 e 1928 em Paris e Amsterdam respectivamente, os espanhóis acabaram eliminados pela Itália, e uma rivalidade foi desenvolvida desde então. Assim como com os vizinhos, Portugal, onde nos primeiros confrontos a Espanha levou a melhor na maioria deles, com apenas um empate e cinco vitórias nos seis primeiros jogos.

Participação nas primeiras copas

Os espanhóis foram a primeira equipe a vencer a Inglaterra, em um duelo em 1929, disputado em Madrid um ano antes da primeira Copa do Mundo. Em 1930, a FIFA decidiu que o Uruguai seria a sede da competição, e a Espanha, a exemplo de outras seleções europeias, recusou o convite da entidade.

Os motivos alegados foram a longa viagem que seria feita de barco ao país sul-americano e o alto custo envolvido. O Uruguai se comprometeu a compensar o custo das viagens, mas, mesmo assim, a Seleção Espanhola não participou do torneio. Para os espanhóis, a copa deveria ser realizada na Europa, de preferência na Inglaterra, país inventor do esporte.

Em 1934, no Mundial disputado na Itália, a Seleção Espanhola de Futebol participou pela primeira vez de uma Copa. No primeiro confronto eliminatório, venceu o Brasil por 3 a 1.  Esse jogo teve direito a uma defesa de pênalti do goleiro Ricardo Zamora em cobrança do ídolo brasileiro Leônidas da Silva.

Na fase seguinte La Furia enfrentou os donos da casa, e foi preciso fazer uma nova partida, já que no regulamento era previsto que após um empate a partida seria refeita. O 1 a 1 com grande atuação de Zamora fazendo defesas milagrosas gerou o novo jogo, mas na partida de desempate o goleiro não atuou por conta de lesão causada no jogo. Assim, a Itália venceu com gol de Giuseppe Meazza, eliminando os espanhóis.

Em 1938, a Seleção da Espanha não participou da Copa do Mundo disputada na França. O motivo desta vez foi por conta dos conflitos causados na Guerra Civil Espanhola, que terminou com a ditadura de Francisco Franco da frente nacionalista, apoiado pelo fascismo e nazismo. Os conflitos que assolaram o país, impediram a reunião da Seleção para o mundial.

1951-1978: a Espanha no segundo pelotão do futebol mundial

Seleção Espanhola de Futebol na Copa do Mundo de 1950.

Ao fim da Guerra Civil Espanhola, quando Franco ascende ao poder, e no ano seguinte com o início da Segunda Guerra Mundial, a Seleção Espanhola de Futebol ficou afastada dos mundiais até 1950, quando o torneio voltou a ser disputado depois de 1938.

Na Copa do Mundo do Brasil em 1950, a Espanha fez uma primeira fase perfeita quando venceu os Estados Unidos, Chile e Inglaterra. Com isso, se classificou para a fase de grupos final. Mas, a participação foi abaixo do que apresentou na fase anterior. Com um empate e duas derrotas, inclusive com um 6 a 1 para o Brasil, não chegou perto da disputa pelo troféu.

Depois disso só retornou a uma Copa do Mundo em 1962, já com um elenco respeitado e jogadores lendários. Fizeram parte do elenco Enrique Collar, Francisco Gento, Luis Suarez e os naturalizados Ferenc Puskas e Alfredo Di Stéfano. Iniciou o troneio com uma derrota para a Tchecoslováquia, depois venceu o México, mas a derrota para o Brasil eliminou a Fúria do Mundial.

Em 1966, a história se repetiu, e La Furia se despediu da Copa do Mundo com duas derrotas e uma vitória e novamente ficou na primeira fase. A Seleção Espanhola não conseguiu se classificar para as Copas de 1970 e 1974, devido a campanhas fracas nas eliminatórias. Em 1978, voltou a um mundial, mas acabou caindo de novo na priemira fase, desta vez com uma vitória contra a Suécia, empate com o Brasil e derrota para a Áustria.

Um fato interessante sobre o período em questão é que um dos maiores jogadores que atuou no país, vestindo a camisa do Barcelona, Ladislao Kubala, não disputou uma partida de Copa do Mundo pela Seleção da Espanha. Isso aconteceu devido à não classificação do país nos mundiais enquanto Kubala atuou pela seleção.

1964: Em casa, Espanha conquista a Eurocopa

Primeiro título da Espanha: Eurocopa 1964.

Apesar das campanhas fracas em Copas do Mundo, a Espanha se destacou na disputa das primeiras edições da Eurocopa. Em 1960, a primeira disputada, a Seleção da Espanha foi excluída do torneio após se classificar para as quartas de final contra a União Soviética. O time que contava com Kubala e Luis Suarez era uma das favoritas à conquista, que não veio por conta do desentendimento do ditador Francisco Franco com a Real Federação Espanhola de Futebol.

O ditador temia uma derrota para a equipe soviética, e que isso seria usado com fins políticos para atacar o regime de direita liderado por ele na Espanha. Com isso, ele obrigou a Seleção Espanhola a não receber a União Soviética em solo espanhol para a disputa. Assim , os espanhóis foram excluídos pela UEFA, classificando a seleção de Yashin à fase final.

No entanto, o confronto aconteceu quatro anos depois, na segunda edição da Eurocopa, cuja fase final foi disputada na Espanha, e os países protagonizaram a final. Depois de eliminar a Romênia, Irlanda do Norte, Irlanda e Hungria, a decisão disputada no Santiago Bernabéu com a presença de Franco. Os espanhóis venceram por 2 a 1, com gols marcados por Jesús Pereda e Marcelino.

Luis Suarez foi o capitão que ainda teve Francisco Gento e Amancio Amaro, com José Villalonga como técnico, neste que foi o primeiro título da Seleção Espanhola de Futebol. A grande partida da competição foi nas semifinais contra a Hungria, decidida apenas na prorrogação, depois de muito nervosismo.

1982-2005: Seleção Espanhola de Futebol obtém novo patamar

Depois de não participar de três edições de Eurocopa, e sair na primeira fase da competição e 1980, a Seleção Espanhola de Futebol passou a figurar constantemente em Copa do Mundo e no Continental, com exceção em 1992.

Em 1982 sediou a Copa do Mundo, conseguiu chegar à segunda fase de grupos. Figurou o grupo sediado em Valência ao lado da Irlanda do Norte, Iugoslávia e Honduras. O nervosismo na estreia desencadeou um empate em 1 a 1 contra Honduras, mas na partida seguinte venceu os iugoslavos e mesmo com a derrota contra os irlandeses, com uma falha do goleiro Arconada, chegou à fase seguinte.

Após perder para a Alemanha Ocidental e empatar com Inglaterra, ambos os jogos no Santiago Bernabéu, a Espanha foi eliminada da Copa do Mundo realizada em casa. Com a decepção no pleito, o técnico José Santamaria foi demitido do cargo.

Dois anos depois, a Seleção da Espanha de Futebol chegou à final da Eurocopa, mas caiu frente aos anfitriões, a França de Platini. Apesar disso, a equipe chegou fortalecida ao México para a Copa do Mundo de 1986. Depois de passar pelo grupo ao lado do Brasil, Irlanda do Norte e Argélia, a Espanha caiu nas quartas de finais nos pênaltis para a Bélgica, depois de empatar em 1 a 1 no tempo normal.

Seleção Espanhola de Futebol após os anos 1990

Em 1990 a Espanha caiu nas oitavas de finais da Copa do Mundo após perder por 2 a 1 para a Iugoslávia. Na Copa de 1994 chegou novamente às quartas de final, depois de eliminar a Suíça nas oitavas, mas acabou derrotada pela Itália. Na França, em 1998 caiu ainda na fase de grupos depois de perder para a Nigéria, empatar com o Paraguai e golear a Bulgária. Aquela geração contava com Fernando Hierro, Zubizarreta, Luis Enrique, Ferrer, Raul Gonzales e Fernando Morientes.

Em 2002, na primeira Copa disputada no oriente, a Espanha chegou novamente às quartas de final. Depois de eliminar a Irlanda nas oitavas, a Fúria enfrentou a coanfitriã Coréia do Sul na fase seguinte. E em uma partida marcada por muitas polêmicas, e dois gols mal anulados pela arbitragem, os coreanos foram favorecidos e venceram nas penalidades.

Nesse período, a partir da Copa de 1982, realizada na Espanha, a seleção começou a passar frequentemente da fase de grupos, chegando em algumas copas até as quartas de finais (1986, 1994 e 2002) 

Entretanto, a Seleção Espanhola de Futebol conseguiu um ótimo resultado em 1992, quando conseguiu o ouro olímpico em casa, nos Jogos de Barcelona. A geração não conseguiu repetir o sucesso na seleção principal, mas foi importante na base do escrete nos anos seguintes. Em 2002, La Roja viu a geração que fez sucesso nos anos seguintes aparecer, com nomes como Iker Casillas no gol, Carles Puyol e o jovem Xavi Hernandez no elenco.

1992: Luis Henrique, Guardiola e Ferrer conduzem Seleção Espanhola ao ouro olímpico

Inédito ouro olímpico em 1992.

Depois da redemocratização da Espanha, Barcelona se candidatou para receber os Jogos Olímpicos de 1992, com a intenção de demonstrar sua grandeza e importância no continente europeu.

Com isso, os jogos foram tratados com muita seriedade pelo povo espanhol, sobretudo no futebol. Foi a primeira vez que se permitiram apenas jogadores abaixo de 23 anos, em acordo da FIFA com o Comitê Olímpico Internacionl (COI). A Seleção Espanhola de Futebol vinha do fracasso de não conseguir a classificação para a Eurocopa do mesmo ano. Assim, a pressão para um bom resultado em casa foi maior nos Jogos Olímpicos.

O encarregado de levar a Seleção em frente nesta jornada foi Vicente Miera. A Espanha ficou em um grupo ao lado de Colômbia, Catar e Egito. Estreou fazendo 4 a 0 na Colômbia, e nos jogos seguintes venceu por 2 a 0 em ambos os adversários restantes.  Na quartas de finais, o gol de Kiko Narváez levou La Furia às semifinais contra Gana.

Os africanos tinham média de idade de aproximadamente 19 anos e estavam bem na competição, mas os gols de Abelardo e Rafael Berges levaram a Seleção Espanhola à final. Os poloneses, vencedores dos Jogos de 1972 foram os adversários, e no fim do primeiro tempo saíram na frente, deixando os mais de 95 mil torcedores, entre eles o Rei Juan Carlos apreensivos.

O time que contava com Luis Enrique, Guardiola, Ferrer, Kiko, Alfonso e Amavisca empatou com 20 minutos da segunda etapa, após cabeceio de Abelardo. Aos 25, Kiko virou o marcador, mas a Polônia não se rendeu e novamente igualou o jogo. Aos 45 minutos, Kiko fechou o placar e levou o Camp Nou ao delírio em um resultado que deu o ouro olímpico aos espanhóis e mudou o patamar do país no futebol.

2006-2016: Seleção Espanhola e sua geração dourada conquistam a Europa e o Mundo

Após a decepção de sair de forma polêmica na Copa de 2002 e cair na primeira fase na Eurocopa de 2004 em Portugal, a Seleção da Espanha foi obrigada a mudar. Para comandar a mudança o veterano Luis Aragonés foi o escolhido para continuar a reformulação iniciada por Iñaki Sáez.

A principal mudança observada no início do trabalho de Aragonés, foi a implementação de um novo sistema de jogo baseado em valorizar a posse de bola e passes de qualidade. Com isso priorizou jogadores com essas qualidades que eram reservas com seu antecessor, como Xabi Alonso e Xavi Hernández.

A evolução foi notada rapidamente e a Seleção Espanhola de Futebol passou a conseguir resultados melhores do que nos últimos anos. Disputou os principais títulos e venceu duas Eurocopas e uma Copa do Mundo a partir das mudanças feitas por Aragonés e seguidas por seu sucessor Vicente del Bosque.

Os treinadores contaram com o bom momento de atletas dos principais clubes do país e do mundo, Barcelona e Real Madrid. O primeiro foi usado de base como filosofia de jogo, valorizando a posse de bola que encaixou muito bem com os atletas cedidos pelos catalães e pelos Blancos de Madrid.

Além dos meio campistas já citados, muitos atletas passaram a integrar constantemente a Fúria, como Iker Casillas, Carles Puyol, Gerard Piqué, Joan Capdevilla, Sergio Ramos, Andrés Iniesta, Jesús Navas, Cesc Fàbregas, Fernando Torres, David Villa, Raúl Albiol, Carlos Marchena, Sergio Busquets e Luis García.

A geração encantou e levou a Seleção da Espanha para o mais alto patamar do futebol mundial. Todos os adversários temiam enfrentar os espanhóis, por tamanha dificuldade em retomar a bola e por sua massiva quantidade de chances criadas de gol. Com isso, a Espanha passou a ser conhecida como “La Furia”.

Copa do Mundo de 2006: nova geração é posta à prova

Geração da Seleção Espanhola de Futebol em 2006.

 A lista fechada por Aragonés para a Copa do Mundo de 2006 disputada na Alemanha, teve apenas dois remanescentes da Eurocopa de dois anos antes. Puyol e Casillas consolidados em seus clubes, foram usados para a nova base da Seleção Espanhola. Jovens talentos como David Villa, Pablo Ibañez, Sergio Ramos e Cesc Fàbregas integraram. A lista que também teve o brasileiro naturalizado espanhol Marcos Senna como comandante do meio campo, o veterano Raúl Gonzales, o promissor Fernando Torres e Luis García no ataque

O forte elenco goleou a Ucrânia de Shevchenko na primeira partida da fase de grupos, venceu a Tunísia após virar o placar na segunda, e na terceira, venceu pelo placar mínimo a Arábia Saudita, poupando titulares.

Nas oitavas de finais enfrentou a França, segunda colocada no grupo que cruzou com os espanhóis. O jogo foi muito disputado e La Furia saiu na frente após pênalti cobrado por Villa aos 28 do primeiro tempo. No final da etapa, Franck Ribery igualou o marcador deixando o jogo nervoso até a parte final do segundo tempo. Mas após uma falta duvidosa apontada pela arbitragem, de Puyol, a França ficou a frente do placar com gol de Vieira e depois Zidane marcou um belo gol para fechar o placar.

A eliminação pegou muita gente de surpresa, já que a Seleção da Espanha de Futebol jogava muito bem e a França ainda não havia engrenado no torneio, mas o resultado motivou o grupo a buscar melhores resultados a partir de então. Raúl fez seu último jogo em Copa do Mundo, e depois de duas partidas pelas eliminatórias da Eurocopa de 2008, deixou de fazer parte dos planos da Seleção da Espanha.

Eurocopa 2008: primeiro título da Fúria

O começo da campanha para se classificar à Eurocopa 2008 foi turbulento, com alguns resultados ruins e a não convocação de Raúl, grande símbolo da Seleção Espanhola por muitos anos. Mesmo assim, a equipe se classificou em primeiro lugar na eliminatória, começando a apresentar um futebol de extrema qualidade.

A seleção “tiquetaca” (ou tike taka) passou a jogar da mesma maneira que o Barcelona dirigido pelo ex-atleta do clube e da Seleção, Pep Guardiola. A forma revolucionária de valorizar a posse de bola com toques curtos e precisos chegou ao escrete e dominou os adversários, a exemplo do clube catalão.

No grupo da Fúria estavam Rússia, Grécia e Suécia, contra as quais os espanhóis saíram vencedores de todos, chegando às quartas de final contra a temida Itália, então campeão do mundo em 2006. As equipes não saíram do zero, mesmo com a ampla posse de bola e melhores chances que a Seleção da Espanha criou. La fúria espantou um fantasma que assombrava a equipe e venceu o confronto nas penalidades chegando às semifinais contra a Rússia.

O placar de 3 a 0 mostrou a superioridade espanhola para disputar a decisão do torneio sediado na Suíça e na Áustria. A final foi disputada em Viena contra a Alemanha, e com um belo passe de Xavi, Fernando Torres tocou por cima do goleiro Jens Lehmann que saiu do gol para parar o atacante. Sem sucesso, a bola encobriu o goleiro e selou o placar com o título espanhol depois de 44 anos.

Xavi Hernández foi eleito o melhor jogador da competição e David Villa o artilheiro. Mas Fernando Torres, Marcos Senna, Santi Cazorla e Andrés Iniesta tiveram boas participações no torneio. Luis Aragonés deixou a Seleção após a conquista, e deu lugar a Vicente del Bosque.

Copa do mundo de 2010: seleção espanhola é campeã!

A vitória na Eurocopa de 2008 classificou a Seleção Espanhola à Copa das Confederações de 2009 disputada na África do Sul, sede do mundial do ano seguinte. Mas, a participação não terminou como o esperado, e a Fúria perdeu nas semifinais para os Estados Unidos.

Na Copa do Mundo de 2010, dividiu grupo com Suíça, Honduras e Chile. Na primeira partida, apesar de dominar o jogo e criar muitas chances, perdeu para os suíços por 1 a 0, acendendo um sinal de alerta no elenco. Contra Honduras, Villa decidiu a partida com dois gols e contra o Chile, um jogo duro acabou com gols de Villa e Iniesta.

Com os resultados chegou às oitavas de final, e enfrentou seu grande rival Portugal de Cristiano Ronaldo. Villa novamente decidiu para os espanhóis com um gol, e assim a Seleção Espanhola chegou às quartas de final novamente.

O adversário foi o Paraguai, e a Espanha passou por diversos apuros na partida, e Casillas teve que pegar um pênalti cobrado por Óscar Cardozo. Xabi Alonso também perdeu uma cobrança, e só aos 36 do segundo tempo, Villa marcou o gol que levou a Fúria às semifinais.

Na inédita semifinal, a Alemanha, que tinha eliminado com duas goleadas Inglaterra e Argentina, respectivamente, foi a adversária. Em outra partida com amplo domínio da bola por parte da Seleção Espanhola, Puyol marcou de cabeça no segundo tempo, colocando La Furia na decisão pela primeira vez.

Final da Copa do Mundo de 2010 contra a Holanda

Histórico gol de Iniesta na final da Copa do Mundo de 2010.

Na final, o adversário foi a Holanda, e ambas as equipes protagonizaram uma decisão cheia de cartões amarelos, a mais violenta da história. Howard Webb, o árbitro inglês, mostrou 14 cartões amarelos, dois deles para Heitinga da Holanda que se transformou em um vermelho.

Arjen Robben teve uma chance clara de gol no começo do segundo tempo, ao ficar cara a cara com o goleiro Casillas que salvou com os pés. A Espanha teve chances com Sérgio Ramos, David Villa e Fàbregas, mas o placar não saiu do zero, indo à prorrogação. No minuto 11 do segundo tempo extra, Andrés Iniesta recebeu passe de Fàbregas e marcou o gol do título espanhol.

A equipe de Del Bosque coroou a geração que apresentava o melhor futebol do mundo há anos. Casillas foi eleito o melhor goleiro da Copa e Villa terminou como vice-artilheiro e terceiro melhor jogador. Iniesta saiu como um jogador muito maior do que já era, e se tornou um dos principais nomes do mundo ao lado de Xavi.

Eurocopa 2012: Seleção Espanhola é bi-campeã

Em 2012, dois anos depois da conquista máxima do futebol, a Seleção Espanhola de Futebol defendeu o título europeu, que havia conquistado quatro anos antes. Disputada na Polônia e na Ucrânia, a Fúria ficou no mesmo grupo de Croácia, Itália e Irlanda.

Começou com um empate contra a Itália, e seguiu sem ganhar uma partida oficial contra os rivais desde os Jogos Olímpicos de 1920. Depois goleou a Irlanda por 4 a 0, sendo dois gols de “El Niño” Torres, que não foi titular contra os italianos. Na terceira partida, venceu os croatas com um gol de Jesús Navas, se classificando para enfrentar a França nas quartas de finais.

Xabi Alonso marcou os dois gols da vitória contra os franceses, última seleção a vencer a Espanha em uma partida eliminatória. Nas semifinais, os vizinhos portugueses foram os adversários, em uma partida sem muitas emoções e decidida apenas nos pênaltis, com vitória de La Roja, e decepção de Cristiano Ronaldo. 

Na final estavam diante da Itália novamente no torneio. Desta vez, com uma atuação irretocável, a Seleção da Espanha de Futebol goleou os italianos por 4 a 0. Os gols da vitória foram marcados por David Silva, Jordi Alba, Fernando Torres e Juan Mata. O “Triplete” foi sacramentado, com duas conquistas europeias e uma mundial, nessa que sem dúvidas, foi umas das melhores seleções do futebol.

Copa do mundo de 2014: Seleção Espanhola de Futebol frustra!

Novamente na Copa das Confederações, a Espanha desta vez chegou à final. Acabou derrotada pelo Brasil, país sede do torneio e da Copa do Mundo do ano seguinte, pelo placar de 3 a 0 em um jogo muito aquém do que a Fúria poderia apresentar.

A Espanha caiu no Grupo B, ao lado de Holanda, Chile e Austrália. Na reedição da final da última Copa, a Espanha saiu na frente dos holandeses, mas tomou a virada e foi goleada por 5 a 1, com um gol antológico de Robin Van Persie. Na partida seguinte, nova derrota, desta vez para o Chile que acabou com qualquer possibilidade de chegar à fase final. 

A partida contra a Austrália valeu apenas para manter a honra dos espanhóis que decepcionaram na defesa do título. Mesmo assim Torres, Villa e Mata marcaram os gols da vitória por 3 a 0. A geração que conquistou os principais títulos que disputou encerrou seu ciclo, e deu espaço a novos nomes, como de David De Gea, Koke, Azpilicueta e Diego Costa que fizeram parte da renovação do elenco.

2016: Formação de nova geração, sem o mesmo sucesso

Nova geração da Seleção Espanhola de Futebol.

A Seleção Espanhola de Futebol chegou à Eurocpa de 2016 disputada na França sem o mesmo favoritismo de outros tempos. Mas, seu elenco era considerado forte mesmo com as ausências de Xavi, Puyol, Villa e Torres que não mais vestiram La Roja. Depois de vencer República Tcheca e Turquia, perdeu para a Croácia e ficou em segundo lugar do grupo.

Enfrentou a Itália, que derrotou a Seleção da Espanha por 2 a 0, encerrando de vez a participação da equipe no torneio, culminando com a saída de Del Bosque do comando técnico. Para seu lugar o escolhido foi Julen Lopetegui, encarregado de renovar o elenco de La Roja e voltar a disputar títulos.

A nova geração teve De Gea como um dos pilares da equipe, ao lado de Isco Alarcón, Thiago Alcantara, Diego Costa, Daniel Carvajal e Jordi Alba. Porém, a trajetória de Lopetegui foi curta e terminou três dias antes da estreia na Copa do Mundo da Rússia, dando lugar ao ex-jogador Fernando Hierro, um dos cinco maiores artilheiros de La Furia.

Depois do Mundial da Rússia, Fernando Hierro não seguiu no comando da Seleção Espanhola, e o seu ex-companheiro nos tempos de jogador, Luis Enrique, assumiu o cargo. O atual treinador tenta renovar o elenco desde então, e conta com nomes veteranos como Morata, De Gea, Alba, Sergio Ramos, Busquets e Thiago ao lado de promessas como Dani Olmo, Pedri, Rodri, Ferrán Torres e Gil

Copa de 2018: Geração dourada dá Adeus à Seleção

A última copa de jogadores lendários da Seleção Espanhola de Futebol.

A Copa do Mundo disputada na Rússia em 2018 começou de forma turbulenta para a Seleção Espanhola de Futebol. O acerto de Julen Lopetegui com o Real Madrid, anunciado dias antes da estreia no mundial, pegou a Real Federação de Futebol Espanhola de surpresa. Com isso, instaurou-se uma crise entre o treinador e a Federação, chamada de “Crise de Krasnodar”.

O treinador acabou destituído do cargo três dias antes da estreia, e Fernando Hierro assumiu o comando em meio à tempestade. O elenco estava fragilizado por conta dos problemas, mas em campo a equipe tinha Portugal, Marrocos e Irã pela frente.

Contra os rivais portugueses, uma das melhores partidas do torneio. A ótima atuação de Diego Costa foi ofuscada pelos três gols de Cristiano Ronaldo, e o placar terminou em 3 a 3. Diego marcou o único gol da vitória contra o Irã e na partida seguinte, a Espanha empatou em 2 a 2 contra os africanos.

Nas oitavas de finais, os anfitriões entraram no caminho dos espanhóis, que não convenciam em campo. Depois do empate em 1 a 1, a Seleção da Espanha de Futebol foi eliminada nos pênaltis, decepcionando sua torcida.

Ao fim do mundial, a saída de Hierro foi inevitável e logo Luis Enrique foi anunciado no cargo. Iniesta, o herói de 2010 anunciou a aposentadoria de seleção, ao lado dele Piqué e David Silva, abrindo espaço para uma nova renovação do elenco.

 

 

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