Paulo Cézar Caju

Meio campista, Ponta-esquerda
681 Jogos Oficiais
17 Títulos Oficiais
172 Gols Marcados
Paulo César Caju, uma lenda do futebol brasileiro.
Paulo Cézar CajuBrasil - Rio de Janeiro
Nascimento 15 de junho de 1949
Falecimento -
Apelidos Caju
Carreira Início: (1967) Botafogo
Término: (1983) Grêmio
Características Altura: 1,74 m
Destro
Posição / Outras posições Ponta esquerda / Meio-campista
Copa do Mundo

1970

Bola de prata

1970, 1972, 1976, 1977

Mundial de Clubes

1983

Perfil / Estilo do jogador

Irreverente, genial e polêmico, Paulo Cézar Caju era dono de um futebol que esbanjava habilidade, com dribles desconcertantes, velocidade e raciocínio rápido. O craque também tinha muita visão de jogo e qualidade de passe, tanto que no decorrer da carreira saiu da ponta esquerda e passou a ser utilizado no meio-campo. Marcado por jogar bonito, se destacou em uma das gerações mais brilhantes do futebol brasileiro e na maioria das vezes que entrava em campo, apresentava um grande espetáculo com a bola nos pés.

Clubes em que atuou

Data Clube Jogos Gols
1967-1972 / 1977-1978 Botafogo 264 83
1972-1974 Flamengo 105 19
1974-1975 Olympique de Marseille 31 16
1975-1977 Fluminense 85 16
1978-1979 / 1983 Grêmio 62 14
1980 Vasco 16 0
1981 Corinthians 4 0
1981 Califórnia Surf 18 4
1982-1983 Aix-en-Provence 21 3

Histórico pela Seleção

Ano Seleção Jogos Gols
1967-1977 Brasileira 75 17

Conquistas por Clubes

Clube Título Temporada
Botafogo Troféu Triangular de Caracas 1967, 1968, 1970
Botafogo Torneio Hexagonal do México 1968
Botafogo Campeonato Brasileiro 1968
Botafogo Campeonato Carioca 1967, 1968
Flamengo Campeonato Carioca 1972, 1974
Olympique Marseille Copa da França 1975
Fluminense Campeonato Carioca 1975, 1976
Grêmio Campeonato Gaúcho 1978, 1980
Grêmio Torneio Intercontinental (Mundial de clubes) 1983

Conquistas pela Seleção

Título Ano
Copa do Mundo 1970
Copa Roca 1971
Taça Independência 1972

Conquistas Individuais

Prêmio Ano Representando
Bola de Prata 1970, 1972, 1976, 1977 Botafogo / Fluminense
Artilheiro Campeonato Carioca 1971 Botafogo

Desempenho

0,25
Média
Gols por jogo
1,6
Média
Títulos / Anos de carreira (Profissional)
Força
3
Passe
3
Controle de Bola
4
Drible
4
Velocidade
4
Técnica
4
Finalização
3
Condicionamento Físico
4
Fundamentos Defensivos
1

Biografia

Paulo Cézar Caju: Um dos craques mais geniais e polêmicos do futebol!

Paulo Cézar caju: Irreverente, polêmico e genial.

Irreverente, polêmico e habilidoso. Paulo Cézar Caju era um ponta-esquerda que esbanjava talento dentro e fora dos gramados. Marcou época ao ser um dos primeiros jogadores destros a atuar na posição, algo muito raro até então. Com o passar do tempo ainda demostrou toda a sua categoria e inteligência ao se adaptar para atuar como meio-campista.

Com tamanha habilidade, conseguiu atuar pelos quatro grandes do Rio de Janeiro, sendo o segundo jogador da história a conseguir tal feito. Antes dele, apenas o zagueiro Moisés. Durante estas passagens, Paulo Cézar teve maior destaque com as camisas de Botafogo e de Fluminense Football Club. No Botafogo ele conseguiu ser campeão brasileiro no ano de 1968, e no Tricolor das Laranjeiras fez parte da famosa “Máquina Tricolor” Na década de 1970.

Inclusive, foi atuando com a camisa dessas duas equipes que o atleta recebeu os seus 4 prêmios Bola de Prata da Revista PLACAR. Foi nos anos de 1970, 1972, 1976 e 1977. Apesar de surgir no Fogão em 1968, foi na década de 1970 que ele atingiu o ápice de sua carreira como atleta profissional.

Ainda jovem, com apenas 21 anos de idade, foi convocado para estar no selecionado do Brasil que se sagraria tri-campeão mundial no México, em 1970. Na ocasião ele era considerado o 12º jogador, por sair várias vezes do banco de reservas durante a competição. Já em 1974, assumiu a titularidade absoluta do Brasil, porém não obteve o mesmo sucesso com a seleção canarinho terminando em 4º lugar na Copa do Mundo da Alemanha.

Além de ter sido um jogador de extrema categoria, um dos melhores de sua geração, o craque também teve sua carreira marcada por polêmicas extracampo, devido a um jeito marrento e sincero nas palavras. Inclusive, era conhecido por conseguir boas negociações de contratos e também levar uma vida boêmia, principalmente no período que esteve na França, onde atuou pelo Olympique de Marselha. Lá, também faturou um título.

Após sua aposentadoria ainda enfrentou problemas com dependência química, algo que lhe deixou no fundo do poço por um período da vida. Porém, Paulo César Caju conseguiu dar a volta por cima e é, ainda nos dias de hoje, um dos ex-jogadores de futebol mais respeitados e conscientes sobre a sua profissão.

Infância, histórico e inspirações

Nascido no dia 16 de junho de 1949, na cidade do Rio de Janeiro, Paulo Cézar Lima viveu uma infância difícil junto com sua mãe e sua irmã na favela da Cachoeira, próxima ao bairro do Botafogo. Seu pai biológico era mestre de obras, porém nunca lhe foi apresentando e faleceu logo cedo, vítima de uma cirrose hepática.

Aos 11 anos, o garoto foi passar a noite de natal na casa de seu amigo do futebol de salão do Flamengo, Fred, que era filho do então treinador e ex-jogador Marinho Rodrigues. Logo de cara, a família de Fred gostou de Paulo Cézar e ele foi adotado. Até porque, sua mãe biológica vivia em uma situação financeira difícil e mal tinha condições de cuidar do filho.

Ao conviver com seu pai adotivo, Paulo Cézar teve a oportunidade de acompanhar de perto grandes craques do futebol. Dentre eles Pelé, quem conheceu pessoamentel na final da Taça Brasil de 1962, quando seu pai trabalhava no Botafogo. O Rei era o seu grande ídolo no esporte e coincidentemente atuaria ao seu lado nos anos posteriores.

Seu pai foi um grande incentivador de sua carreira e, ao trabalhar em equipes de outros países, deu oportunidades a seus dois filhos. Por conta disso, Paulo Cézar chegou a treinar entre os jogadores profissionais da seleção de Honduras e também fez parte do time principal do Junior de Barranquilla junto com seu irmão Fred.

Então, em 1967, ao completar 18 anos e de volta ao Brasil, o jogador foi tentar a sorte no time do Flamengo com a ajuda de seu pai. Porém, o então treinador do Flamengo, Flávio Costa, o dispensou. Assim, o seu destino foi selado justamente em seu bairro de infância, pois Paulo Cézar foi aprovado no Botafogo, time do coração.

Porque “caju”: de onde vem esse apelido?

Durante sua carreira como jogador, Paulo Cézar Caju não era apenas polêmico e irreverente, mas também muito politizado. Esse seu lado foi despertado em 1968, durante uma viagem aos Estados Unidos, quando conheceu o movimento “Panteras Negras”.

O jogador se identificou com as causas pela qual o grupo lutava, em prol da igualdade social entre negros e brancos. Então em 1970, durante uma excursão com a seleção brasileira nos Estados Unidos, o jogador pintou o cabelo de vermelho, algo que era característicos dos panteras negras.

Por conta de seu novo visual, Paulo Cézar recebeu o seu famoso apelido de “caju”, até porque, a fruta também tem a cor vermelha. Essa sua nova alcunha marcou tanto a sua carreira, que praticamente se tornou seu sobrenome.

1967–1972: Paulo Cézar Caju desponta no futebol pelo Botafogo

Paulo Cézar Caju começa no futebol com a camisa do Botafogo.

Arrojado, logo em seu primeiro coletivo com a camisa do Botafogo, Paulo Cézar Caju impressionou a comissão técnica do time principal. Uma infelicidade para Zagallo, então treinador do juvenil da equipe, que pretendia contar com o jogador para faturar títulos na categoria.

Assim, em 1967, Caju chegava para integrar uma forte equipe do Botafogo que já contava com verdadeiros craques como Gerson, Jairzinho e o goleiro Manga. Em meio a esses jogadores, Paulo Cézar foi primordial com ampla visão de jogo e muita habilidade com a bola nos pés.

Dessa forma, o jogador brilhou logo em sua primeira temporada e ajudou o Botafogo a conquistar o Campeonato Carioca, já sob o comando de Zagallo. Inclusive, na grande decisão da Taça Guanabara, sua atuação foi primordial para a vitória por 3 a 2 sobre o Americano em pleno Maracanã, com três gols seus anotados. Já no ano seguinte, Paulo Cézar voltou a vencer o estadual junto com sua equipe, conquistando um bicampeonato.

Ainda em 1968, o craque faturou a Taça Brasil, o primeiro título nacional da história do Botafogo. Porém, por conta de algumas convocações da seleção brasileira, Paulo Cézar não pôde atuar com a camisa do glorioso na semifinal contra o Cruzeiro e na final contra o Fortaleza.

Apesar de importantes conquistas, o craque só conseguiu o seu primeiro prêmio individual em 1970, a Bola de Prata. Na ocasião, ele atuou como ponta-esquerda e foi eleito o melhor de sua posição no campeonato brasileiro. Isso, apesar de sua equipe não fazer um bom Campeonato Brasileiro e ter caído já na primeira fase de grupos.

O jogador ainda teve uma segunda passagem pelo glorioso entre 1977 e 1978, atuando ao lado de seu irmão Fred, que era zagueiro. Naquela época, Caju fez parte de um histórico time que ficou 52 jogos sem perder.

1971: Primeira saída polêmica do Botafogo após vice no Carioca

Em grande fase com o time do Botafogo, Paulo Cézar estava prestes a conquistar o Campeonato Carioca de 1971 com sua equipe. Era praticamente certo que o glorioso conquistaria a competição em pontos corridos, pois sua vantagem era muito superior a de seus adversários.

Esse fato fez com que o jogador se empolgasse e tirasse uma foto com a faixa de campeão carioca. Além disso, teria irritado os adversário ao fazer embaixadinhas no meio do jogo, meio que desdenhando dos adversários. Esses fatos, fizeram com que os adversários buscassem uma campanha de recuperação ao mesmo tempo em que o Botafogo caiu de rendimento. Como resultado, o Fogão perdeu o título da competição para o Fluminense na última rodada.

Após esse episódio, a diretoria do botafogo ficou muito chateada com o jogador. Assim, o clima para Paulo Cézar Caju no Botafogo estava praticamente insustentável e mesmo sendo o artilheiro do campeonato daquele ano com 11 gols, acabou deixando o clube. Seu novo destino foi Flamengo, clube com o qual o glorioso conseguiu fechar um bom acordo.

Assim, no total de suas duas passagens no Fogão, o jogador teve a sua fase mais vencedora, ao vencer a Taça Brasil, o bicampeonato carioca, o Hexagonal do México e bicampeonato do Triangular de Caracas. Tudo isso, durante 264 jogos realizados e 83 gols marcados.

1972–1974: Passagem conturbada pelo Flamengo

Em busca de um ambiente tranquilo para jogar seu futebol, Paulo Cézar Caju chegava ao Flamengo em 1972, dessa vez como profissional. Nesse período, o jogador atuou pela primeira vez profissionalmente ao lado de seu irmão Fred. Além disso, foram seus companheiros de time o meia argentino Doval e o atacante Rogerio, em um elenco treinado por Zagallo.

Logo em seu primeiro ano de equipe, conquistou o prêmio Bola de Prata do campeonato brasileiro pela segunda vez, atuando como ponta-esquerda. Ainda no mesmo ano, faturou o Campeonato Carioca vestindo a camisa rubro-negra.

Já na temporada seguinte, em 1973, bateu na trave ao tentar conquistar o bicampeonato, perdendo para o Fluminense na final. Mas, a maior decepção do jogador com a camisa do Flamengo foi no Campeonato Brasileiro daquele ano. Em uma campanha ruim, Paulo Cézar foi responsabilizado pelos maus resultados e foi acusado de tirar o pé nas dividas por conta de sua convocação para a Copa do Mundo de 1974.

Por conta disso, a torcida flamenguista tentou agredir o jogador e ainda quebrou seu carro, Esse fato deixou Paulo Cézar irritado e culminou em sua negociação com o Olympique de Marselha antes mesmo da Copa do Mundo de 1974.

Antes de sair da Gávea, em 1974, o craque ainda faturou mais um título carioca, totalizando sua segunda conquista estadual pela equipe. Com essas taças, Paulo Cézar Caju deixou o Flamengo com 105 jogos e 19 gols marcados.

1974–1975: No Olympique de Marselha, Paulo Cézar Caju tem um período de luxo e boemia

Após deixar o Flamengo, Paulo Cézar Caju chegava ao Olympique de Marselha muito badalado e com status de craque. Na equipe francesa, o jogador atuou ao lado de Jairzinho, o Furacão da Copa de 70, e voltou a repetir uma antiga parceria dos tempos de seleção e Botafogo.

Na França, desenvolveu uma vida boemia, na qual já havia começado em seus tempos de Flamengo. Mas foi em solo francês, em que ele de fato passou a se ludibriar em meio a muitas festas da alta sociedade, carros importados, passeios de lancha e roupas extravagantes. Com um bom contrato no clube francês, Paulo Cézar Caju fazia questão de esbanjar todo o seu luxo que sua carreira como jogador poderia lhe dar. Foi nessa época em que o jogador aflorou a sua fama de bad boy.

Porém, dentro de campo, Paulo Cézar também esbanjou um bom futebol, se tornando ainda vice-artilheiro e vice-campeão francês da temporada 1974-75. Naquele ano, ainda conseguiu faturar a Copa da França com sua equipe.

Mesmo conseguindo um bom desempenho em campo, o craque não se adaptou ao país e chegou até mesmo a fugir da cidade em seu sétimo mês de equipe. Então, durante uma excursão do Fluminense em solo francês, conheceu o presidente do clube Francisco Horta, que tratou de contratá-lo. Assim, encerrava-se sua passagem pelo Olympique de Marselha, que durou apenas uma temporada.

Na equipe, Paulo Cézar Caju atuou em 31 partidas e anotou 16 gols, com apenas o título da Copa da França conquistado. Com esses números o craque se tornou um dos principais jogadores brasileiros a passar pelo futebol francês, mesmo que tenha atuado por pouco tempo.

1975–1977: Paulo Cézar Caju chega ao Fluminense para fazer parte da máquina tricolor

Em sua chegada ao Fluminense, Paulo Cézar Caju teve um pequeno entrave, a sua multa rescisória junto ao Olympique de Marselha. Então, o presidente do clube, Francisco Horta, convenceu o jogador a pagar tal multa do próprio bolso. Algo possível, para quem tinha boas condições financeiras e muita vontade de atuar nas Laranjeiras.

Dessa forma, Paulo Cézar foi a primeira grande contratação da famosa Máquina Tricolor, tendo chegado depois dele grandes outros jogadores. Dentre eles, Roberto Rivellino, Doval, Carlos Alberto Torres e o goleiro Félix. Para se adaptar em meio a esses craques, Caju foi recuado para atuar no meio-campo e algumas vezes como segundo volante, funções que desempenhou com maestria.

Em meio a essa máquina, o jogador fez sua estreia pelo tricolor em vitória por 1 a 0 em amistoso contra o poderoso Bayern Munich. Gerd Muller acabou anotando o gol contra que definiu o placar, decretando a derrota da equipe que também tinha Franz Beckenbauer.

Aquela estreia era o prenúncio de sua passagem vitoriosa pelo Fluminense, que culminou na conquista do bicampeonato estadual nos anos de 1975 e 1976. Além disso, o jogador ainda faturou uma série de troféus em excursões internacionais. Faltou-lhe apenas o Campeonato Brasileiro, em que sua equipe parou na semifinal em duas oportunidades. Porém, nessas campanhas do Brasileirão em 1975 e 1976, Paulo Cézar faturou o prêmio Bola de Prata como meio-campista.

Contudo, além de atuar bem em campo, Paulo Cézar protagonizou uma grande polêmica como jogador do Fluminense. Antes do jogo contra o Treze da Paraíba na cidade de Campina Grande, pelo Campeonato Brasileiro de 1976, o craque se envolveu em uma briga e agrediu um jovem torcedor. Na ocasião, ele se defendeu dizendo que havia sido agredido primeiro.

1977: Envolvido em uma troca para deixar o Fluminense

Apesar de toda a confusão, o jogador permaneceu no Fluminense e continuou atuando em alto nível. Porém, o presidente Francisco Horta viu uma boa oportunidade de reforçar o elenco tricolor, o que envolvia Paulo Cézar Caju.

Junto com seus companheiros Gil e Rodrigues Neto, Caju foi envolvido em uma troca com o lateral Marinho Chagas do Botafogo. Assim, se encerrava a sua vitoriosa passagem pelo tricolor das Laranjeiras, uma das mais emblemáticas de sua carreira.

Com dois campeonatos estaduais conquistados e outros torneios amistosos, Paulo Cézar deixava o Fluminense com 85 jogos e 16 gols.

Paulo Cézar Caju roda por alguns times até se aposentar no Grêmio

Após a saída do Fluminense, PC Caju rodou por diversos clubes, em breves passagens, até encerrar sua carreira em 1983. Isso incluiu tradicionais clubes brasileiros e clubes de menor expressão nos EUA e na França.

Assim, teve uma rápida passagem pelo Botafogo entre 1977 e 1978. Em 1978, vestiu pela primeira vez a camisa do Grêmio e permaneceu por duas temporadas. Depois jogou no Vasco, único clube brasileiro, além do Corinthians onde não conquistou títulos, conseguindo apenas o vice-campeonato carioca em 1980. Na colina, atuou em 16 partidas sem gols marcados. Em 1981, teve uma brevíssima passagem pelo Corinthians.

Após saída do Corinthians,  Caju se aventurou em equipes estrangeiras como o Califórnia Surf dos Estados Unidos, onde jogou 18 partidas e anotou 4 gols. Além disso, o craque ainda retornou a França para atuar na terceira divisão do país para vestir a camisa do pequeno Aix-en-Provence, atuando em 21 jogos com 3 tentos anotados.

1981: Rápida passagem no Corinthians da “Democracia Corinthiana”

Breve passagem no Corinthians.

Aos 32 anos, Paulo Cézar Caju se apresentou ao Corinthians, após deixar o Botafogo em sua segunda passagem. O jogador era um desejo antigo dos alvinegros que pretendiam contrata-lo já em 1971, visando sair da incômoda fila de títulos que durou 23 anos. Na ocasião, PC Caju foi objeto de uma campanha de financiamento coletivo, após a diretoria do clube paulista tentar arrecadar dinheiro junto à torcida a partir de depósito em barris espalhados pela cidade de São Paulo. Em 1971 não deu certo, mas finalmente, dez anos depois, o craque desembarcaria no Parque São Jorge.

Sua chegada se deu no inicio do time da democracia corinthiana, que contava com Sócrates, Wladimir, Zenon e Zé Maria. A expectativa era de que Caju chegasse para fazer um grande sucesso naquela equipe, algo que não aconteceu. Pois foram apenas 4 jogos disputados com a camisa alvinegra, resultando na passagem mais apagada de sua carreira.

Já em sua estreia, o jogador não desempenhou um bom papel diante da derrota para o São Paulo por 2 a 0 no Morumbi. Naquele jogo, houve a percepção de que o já veterano Paulo Cézar não reunia mais condições de atuar em alto nível. Além disso, a sua relação com a cidade de São Paulo já não era das melhores, pois o jogador nunca foi bem visto pela torcida e imprensa paulistana.

1978-79 e 1983: Breve e vitoriosa passagem pelo Grêmio

De volta ao Grêmio em 1983, Paulo Cézar Caju fez parte do time campeão mundial, sendo contratado justamente para a partida final, por conta de problemas extracampo e físicos.  Na ocasião, esteve ao lado de grandes craques como Renato Gaúcho, Hugo de León, Paulo Roberto e Mário Sérgio.

Na equipe, em sua primeira passagem, Caju já havia faturado o bicampeonato gaúcho de 1979 e 1980. Com tais conquistas, seu nome é lembrado com carinho pelos torcedores gremistas.

Aos 34 anos de idade, após o mundial, o jogador ainda atuou em um torneio amistoso com a camisa do Grêmio contra o América do México. Aquele foi seu último jogo como profissional, pois seus problemas com dependência química já estavam atrapalhando sua carreira e seu condicionamento físico. Dessa forma um tanto melancólica, o craque teve que abandonar os gramados e deixou o Grêmio com 62 jogos e 14 gols em suas duas passagens pela equipe.

Paulo Cézar Caju na seleção brasileira

Paulo Cézar Caju na seleção brasileira.

Em 1967, Paulo Cézar Caju era apenas um jovem de 18 anos de idade, quando foi convocado pela primeira vez para integrar a seleção brasileira. Seu jogo de estreia aconteceu diante de um amistoso contra o Chile, com vitória dos brasileiros por 1 a 0.

Na sequência, o jogador foi convocado em mais algumas partidas até receber a chance de representar a seleção na Copa do Mundo de 1970 no México. Na campanha do título, foi utilizado no decorrer das partidas, sendo uma espécie de 12º jogador. No mundial seguinte, passou a integrar o time titular, porém, o resultado não foi dos melhores e o Brasil terminou na 4º posição.

Após a Copa do Mundo de 1974, em que não atuou muito bem, Caju continuou atuando em alto nível na máquina tricolor, onde faturou duas Bolas de Prata, mas mesmo assim, ficou sem ser convocado por dois anos. Tudo isso porque, o então treinador, Osvaldo Brandão, não o suportava e inclusive, o jeito de Paulo Cézar era considerado uma afronta à ditadura militar que estava em curso na época. Um homem negro, que dizia o que pensava e esbanjava um bom estilo de vida, não era visto com bons olhos pelos conservadores.

Tanto que mesmo após ser convocado às vésperas do mundial de 1978 e atuar em alto nível, o jogador não foi levado para a competição. Paulo Cézar era contestador e batia de frente com o presidente da CBD (antiga CBF)  sobre algumas questões internas e por isso deixou de ser convocado.

Seu último jogo pelo escrete brasileiro aconteceu nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1978, em vitória sobre o Peru por 1 a 0. Assim, Caju encerrava sua passagem na seleção com um título de Copa do Mundo, 75 partidas disputadas e 17 gols marcados.

Copa de 1970: Paulo Cézar Caju como o 12º homem

Em 1970, às vésperas da Copa do Mundo no México, Paulo Cézar Caju vinha desempenhando um bom papel com a camisa do Botafogo, tanto que recebeu a Bola de Prata naquele ano. Assim, foi novamente convocado pela seleção brasileira, dessa vez para atuar no mundial.

Com apenas 21 anos, o jogador era um dos mais jovens do elenco, sendo mais velho apenas em relação ao goleiro Ado, o lateral Marco Antônio, o meia Clodoaldo e o atacante Edu.  Mesmo com pouca idade, Caju foi importante naquela Copa, sendo basicamente um 12º jogador entrando em campo esporadicamente. Na ocasião, aquele foi o primeiro mundial em que se permitia substituições no decorrer de uma partida.

Esse fator foi bem aproveitado pelo técnico Zagallo, que usou o jogador em mais de uma posição no decorrer das partidas. Em geral, Caju atuava na ponta esquerda, substituindo Rivellino, que era deslocado da ponta esquerda para fazer o meio-campo, sobretudo substituindo Gérson.

Paulo Cézar entrou nas partidas contra Republica Tcheca, Inglaterra, Romênia e Peru, ficando de fora da semifinal contra o Uruguai e da decisão contra a Itália. Na ocasião, o jogador faturou o tricampeonato mundial em 1970 ao lado de grandes lendas como Pelé, Carlos Alberto Torres, Rivelino, Jairzinho, Tostão e Gerson.

Copa de 1974: Paulo Cézar Caju como titular e destaque

Atuação apagada na Copa do Mundo de 1974.

Em destaque no futebol brasileiro, Paulo Cézar Caju foi convocado como titular da seleção para a Copa do Mundo de 1974 na Alemanha. Sem a presença de Pelé, desenvolveu parceria com outros craques como o goleiro Leão, Leivinha, Luís Pereira, além de Rivellino, Clodoaldo e Jairzinho.

Porém, apesar da condição de titular, Caju teve uma atuação apagada na competição, na função de meio-campista. Inclusive, após dois empates sem gols contra Iugoslávia e Escócia, o jogador perdeu espaço na equipe e ficou no banco de reservas contra o Zaire. Porém, voltou na segunda fase de grupos, atuando pelo lado esquerdo contra Argentina e Holanda. Foi justamente na derrota de 2 a 0 para os holandeses em que foi muito criticado, após perder um gol claro.

Muitas pessoas creditaram a sua má atuação na Copa do Mundo devido à sua falta de interesse na competição, por conta de sua contratação pelo o Olympique de Marselha.  Reza a lenda, que o jogador já estava com a cabeça na França e pouco se importou com o mundial realizado na Alemanha.

No final da competição, o Brasil terminou na 4º posição, após perder a disputa de 3º lugar para a Polônia em derrota por 1 a 0. Paulo Cézar sequer participou dessa partida.

Aposentadoria e carreira pós-aposentadoria

Paulo Cézar Caju condecorado com uma medalha de honra pelo presidente da França.

Após anunciar a aposentadoria, Paulo Cézar Caju passou por um verdadeiro inferno astral ao se tornar dependente químico. Ainda como jogador, enquanto esteve atuando na terceira divisão da França, conheceu a cocaína e desenvolveu um forte vicio, principalmente após a morte de seu pai em 1987.

A partir dali, Caju se entregou as drogas e praticamente chegou ao fundo do poço. Nesse meio tempo, segundo ele mesmo revelou em entrevistas, vendeu dois apartamentos de luxo e até mesmo a sua medalha de tricampeão da Copa de 70 para comprar cocaína.

Com tantos problemas, recebeu a ajuda de dois amigos seus, também ex-jogadores, Afonsinho e Claudio Adão. Porém, nem sempre aceitava tal ajuda e inclusive chegou a brigar com Adão. Foi então, que em 2003, recebeu o alerta de que poderia ter um infarto a qualquer momento se continuasse usando drogas. Dessa forma, Paulo Cézar resolveu mudar de vida.

Para contar essa sua história de superação, o ex-jogador lançou o livro “Dei a volta na vida”, sendo que ainda em 1997, teve sua história contada em um documentário. Logo em seguida, passou a trabalhar como colunista no Jornal da Tarde e depois no Pasquim, Diário de Notícias e O Globo. Atualmente, trabalha em sua coluna semanal no site da revista Veja.

Por conta de tudo o que fez pelo futebol na França, ainda foi condecorado com a medalha de Cavalheiro da Ordem Nacional da Legião de Honra em 2016. Na ocasião, o então presidente francês François Hollande, estava hospedado em um hotel no Rio de Janeiro durante as olimpíadas na cidade e aproveitou para condecorar o jogador.

Paulo Cézar Caju: afiado na palavra

Paulo Cézar Caju sempre foi muito conhecido por sua sinceridade e por ser muito afiado nas palavras. Dessa forma, ele colecionou algumas frases que foram consideradas polêmicas.

Perguntado sobre o racismo no Brasil, Caju disse que Pelé é muito omisso quanto ao tema e que poderia se posicionar mais.  “Ele é lamentável neste caso, não se posiciona. É um absurdo. O cara é o atleta do século, a figura mais popular do mundo e não usa isso para brigar por causas justas”. Frase um tanto que polêmica, ainda mais porque o Rei do Futebol já foi muitas vezes questionado sobre esse tema.

Além disso, Paulo Cézar Caju é um crítico ferrenho da escola gaúcha no futebol brasileiro, a qual ele considera responsável por engessar o estilo de jogo do Brasil. “Sou contra a falta de alternativa. Por que só Felipão, Mano Menezes, Dunga, Felipão de novo na Seleção? O estilo gaúcho está matando o nosso futebol. Por que não retomar o jogo cadenciado, bonito e objetivo?”

Indo de encontro com esse pensamento, o ex-jogador também critica a seleção campeã do mundo de 1994. “Não gosto do futebol brasileiro faz tempo. Ganhamos uma Copa em 94 que foi introduzido o esquema 4-4-2 medonho com oito defensores, quatro volantes, e dois jogadores geniais como definidores com Bebeto e Romário”.

 

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