Marinho Chagas

Lateral esquerdo
566 Jogos Oficiais
2 Títulos Oficiais
111 Gols Marcados
Marinho Chagas Brasil - Natal - Rio Grande do Norte
Nascimento 07 de fevereiro de 1952
Falecimento 01/06/2014
Apelidos Bruxa Loira, Diabo Loiro, Canhão do Nordeste
Carreira Início: (1967) Riachuelo
Término: (1988) Harlekin Augsburg
Características Altura: 1,78 m
Ambidestro
Posição / Outras posições Lateral esquerdo

Perfil / Estilo do jogador

Como um foguete, Marinho Chagas subia ao ataque, mesmo em um período em que os laterais recebiam instruções de seus treinadores para ficarem presos na defesa. Como uma bruxa, ele aprontava suas bruxarias, sendo sempre irreverente dentro e fora dos gramados, ao distribuir dribles até mesmo em grandes craques, como o Rei Pelé. Além disso, seu chute era potente, o que lhe permitia cobrar faltas de longa ou média distância, assombrando qualquer goleiro. Sempre inovador, o jogador ainda recebeu os méritos de ter sido o primeiro a bater um pênalti com paradinha, algo que tinha muito a ver com a sua personalidade.

Categoria de base

Data Clube    
Riachuelo 1967-1969    

Clubes em que atuou

Data Clube Jogos Gols
1969 Riachuelo - -
1970 ABC - -
1971 Náutico 98 12
1972-1976 Botafogo 183 39
1977-1978 Fluminense 93 39
1978-1979 New York Cosmos 30 9
1979-1980 Fort Lauderdale Strikers 19 3
1981-1983 São Paulo 85 4
1983 Bangu 1 0
1984 Fortaleza 14 1
1985 América-RN 7 0
1986-1987 Los Angeles Heat - -
1987-1988 Harlekin Augsburg - -

Histórico pela Seleção

Ano Seleção Jogos Gols
1973-1977 Brasil 36 4

Conquistas por Clubes

Clube Título Temporada
ABC Campeonato Potiguar 1970
São Paulo Campeonato Paulista 1971

Conquistas Individuais

Prêmio Ano Representando
Bola de Prata da Revista Placar 1972, 1973, 1981 Botafogo
Melhores do Futebol (El País) 2º colocado 1974 Botafogo

Desempenho

0,19
Média
Gols por jogo
0,105
Média
Títulos / Anos de carreira (Profissional)
Força
4
Passe
4
Controle de Bola
4
Drible
4
Velocidade
5
Técnica
5
Finalização
4
Condicionamento Físico
3
Fundamentos Defensivos
2

Biografia

Marinho Chagas: A bruxa loira que mudou a lateral esquerda

Marinho Chagas: a bruxa loira.

Há no futebol, aqueles que acreditam em contos de fadas, com histórias de superação dignas de um filme da Disney. Por outro lado, existe o conto das bruxas, ou da bruxa, Marinho Chagas, onde nem tudo é perfeito, em um clima envolto de rebeldia, risos e polêmicas. O jogador, um rebelde com causa, foi um dos primeiros laterais esquerdos da história a abandonar a defesa para se aventurar no ataque, onde era praticamente obrigatório um lateral ficar preso no campo defensivo.

Marinho Chagas começou a carreira no futebol do Rio Grande do Norte, passando pelo modesto Riachuelo e ABC, até chegar ao Náutico em Pernambuco. Logo depois, o lateral se transferiu para o Botafogo, onde obteve o maior destaque individual da carreira. Tanto que na estrela solitária, o jogador faturou o prêmio Bola de Prata por duas vezes seguidas, nos anos de 1972 e 1973.

Após deixar o Botafogo, Marinho foi defender o rival Fluminense no final da famosa “Máquina Tricolor”. Ao deixar o Flu, o jogador foi atuar nos Estados Unidos para em seguida representar outro tricolor, o São Paulo. Foi justamente na equipe paulista, em que o craque conquistou sua terceira Bola de Prata, em 1981, além de faturar o Campeonato Paulista do mesmo ano.

Na seleção brasileira, Marinho Chagas também teve o seus bons momentos, ao disputar a Copa do Mundo de 1974. Mesmo sem conquistar o mundial, ele foi um dos destaques da competição, sendo muito elogiado pela imprensa estrangeira.

Porém, quis o destino que as suas rebeldes lhe custassem caro. Por conta de uma vida muito desregrada, Marinho passou a conviver com problemas de saúde decorrentes do alcoolismo. Assim, ele faleceu em 2014, vítima de uma hemorragia gástrica causada pelo excesso de álcool.

Infância, histórico e inspirações

Juventude na equipe do Riachuelo-RN.

Francisco das Chagas Marinho nasceu no dia 8 de fevereiro de 1952, na cidade de natal, capital do Rio Grande do Norte. Vindo de uma família com outros nove irmãos, Marinho viveu uma infância pobre às margens do Rio Potengi, correndo atrás de uma bola.

O pequeno garoto que tinha o futebol como o seu principal lazer, aprendeu a gostar do esporte com o tempo, já que no inicio não gostava muito. Além de passar a tomar gosto pelo futebol, Marinho também passou a mostrar muita habilidade atuando na lama da maré deixada pelo rio.

Ao mostrar toda essa habilidade, Marinho chamou atenção de um Tenente da Marinha, que viu o pequeno garoto jogando uma pelada às margens do rio. Esse Tenente tinha muita influência em um pequeno clube da cidade, o Riachuelo, que era formado pela base militar. Portanto, em 1967, com apenas 15 anos de idade, o jovem jogador passou a integrar a modesta equipe, atuando entre os juvenis.

Porém, de início ele não recebia oportunidades para jogar, sendo praticamente invisível no elenco de sua equipe. Até que em um certo dia, surgiu uma oportunidade para atuar na lateral esquerda, que Marinho agarrou sem pestanejar, mesmo sendo destro e com o sonho de ser centroavante.

Porque o apelido de Bruxa?

Além de ter uma personalidade forte, ao falar o que pensa e com muita irreverência, Marinho Chagas possuía uma vasta cabeleira como marca registrada. Assim, por conta de seus fios loiros e compridos, não demorou muito para que o jogador recebesse apelidos, como Diabo Loiro e Bruxa.

A alcunha de bruxa foi a que mais pegou e acompanhou o jogador durante toda a sua carreira, algo que ele sempre encarou com naturalidade. Além disso, Marinho recebeu esse apelido não penas por seus cabelos e seu corpo franzino, parecidos com o de uma bruxa, mas também por sua maneira de bater faltas. Ao marcar gols em cobranças que pareciam impossíveis, o então jornalista João Saldanha logo apelidou o jogador como bruxa loira.

Início da carreira no Rio Grande do Norte

Marinho Chagas em sua passagem pelo ABC.

Após mostrar uma habilidade incomum na lateral esquerda, principalmente ao ser muito ofensivo, Marinho Chagas foi promovido ao time profissional do Riachuelo em 1969. Assim, com apenas 16 anos, o jovem jogador recebeu a sua primeira oportunidade no time principal, mesmo sem um contrato oficial.

Assim, com um talento revolucionário com a bola nos pés para um lateral, Marinho chamou atenção de um time de maior expressão do Rio Grande do Norte, o ABC, após uma partida contra o mesmo. Curiosamente, o clube contou com o seu futebol pagando apenas vinte pares de chuteiras ao Riachuelo. Inclusive, de maneira ainda mais curiosa, o jogador recebeu vinte discos como pagamento de seu primeiro contrato profissional.

Entretanto, sua primeira oportunidade com a camisa de sua nova equipe só ocorreu porque todos os laterais do elenco estavam machucados. Dessa forma, Marinho estreou pelo ABC e se destacou, agarrando a condição de titular.

Ainda no mesmo ano, com a camisa do clube, ele fez uma grande partida contra o Palmeiras, com direito a dribles para cima do ponta direita Edu Bala. Por conta dessa brilhante atuação, o jogador de apenas 17 anos chamou atenção do lendário Oswaldo Brandão. O treinador foi até a casa dos pais de Marinho, para lhe oferecer uma proposta, mas ambos não queriam que o filho se mudasse para São Paulo, por causa da pouca idade.

Longe de casa, Marinho Chagas se destaca ainda mais no Náutico

Mas, em 1971, o jovem jogador acabou aprontando uma de suas bruxarias e falsificou a assinatura de seu pai. O que no final acabou valendo a pena e como resultado disso, ele realizou a sua primeira viagem internacional em excursão para a Jamaica e se tornou um craque do futebol pernambucano. Inclusive, logo em sua estreia, Marinho fez um gol olímpico e seu chute potente lhe rendeu o apelido de “Canhão do Nordeste”.

Dessa forma, ele continuou chamando atenção no cenário do futebol nacional e o nordeste estava ficando pequeno para o seu talento. Foi então que em 1972, após partida entre Botafogo e Náutico, o jogador chamou atenção da imprensa carioca, inclusive de João Saldanha, que disse que o Botafogo precisava de um lateral como Marinho.

Dito e feito, através da influência do cantor Agnaldo Timóteo que conversou com o próprio Marinho, o Botafogo contratou o jogador. Dessa forma, o garoto prodígio deixava o Náutico após 98 partidas, com 12 gols marcados.

Com a camisa do Botafogo, Marinho Chagas encanta o Brasil

Em 1972, ainda jovem e franzino, com apenas 20 anos, Marinho Chagas chegava com a difícil missão de preencher a lacuna deixada por Nilton Santos na lateral esquerda. Algo que ele conseguiu fazer com maestria, começando pela sua estreia no Campeonato Brasileiro contra nada menos do que o Santos de Pelé.

Na ocasião, o lateral conseguiu a proeza de ser o grande destaque de um jogo em que tinha o Rei do Futebol. Em um duelo muito equilibrado, a imprensa já acreditava que Marinho não daria conta de marcar Pelé, mas na realidade, o que ocorreu foi ao contrário. A bruxa loira aprontou mais uma das suas e deu um belo lençol no eterno camisa 10 santista. Como se não bastasse, foi dele o gol do Botafogo, em empate por 1 a 1, com um golaço de falta.

Assim, Marinho não demorou para se enturmar no forte elenco do Botafogo, que já contava com Jairzinho, Zequinha, Ademir Vicente e Ferreti. Inclusive, junto com esses craques, o lateral conseguiu chegar até a final do Campeonato brasileiro de 1972, mas sua equipe acabou perdendo a decisão para o Palmeiras. Na ocasião, o confronto decisivo terminou empatado em 0 a 0, mas como os alviverdes fizeram melhor campanha, levaram o título.

Porém, mesmo com esse revés, Marinho foi o grande destaque da lateral esquerda na competição. Tanto que ele foi recebeu o prêmio Bola de Prata da Revista Placar, prêmio esse que voltaria a receber no ano seguinte. Mesmo com sua equipe sendo eliminada na segunda fase do Brasileirão, a estrela do jogador brilhou, fazendo com que ele fosse mais uma vez premiado.

Despedida sem títulos, porém com destaque

Marinho Chagas também bateu na trave na disputa da Libertadores de 1973, em que o Botafogo chegou até a fase de grupos final, mas sem vencer o título. Na competição, o time de General Severiano havia se vingado do Palmeiras na fase anterior, mas viu o Colo-Colo do Chile ficar com a taça.

Além de ficar no “quase” no Campeonato Brasileiro e na Libertadores, Marinho Chagas também esteve próximo de uma conquista no Campeonato Carioca. Mas, para a sua infelicidade, o título não veio e o Botafogo perdeu a grande decisão da competição para o rival Flamengo.

Pouco depois, o jogador se transferiu para o Fluminense, que estava fazendo alto investimento em seu elenco. Dessa forma, Marinho Chagas deixou o Botafogo após 183 jogos e 39 gols.

Ainda no Rio de Janeiro, participação no final da “Máquina Tricolor”

Como um dos melhores laterais do futebol brasileiro, Marinho Chagas despertou o interesse do Fluminense, que já contava com a famosa “Máquina Tricolor”. Na ocasião, para contar com o futebol do jogador, a equipe tricolor cedeu Gil, Paulo Cézar Caju e Rodrigues Neto ao Botafogo em 1977.

Logo em seus primeiros jogos com a camisa tricolor, Marinho protagonizou um momento curioso. Durante a grande final do Torneio Teresa Herrera contra o Dukla, da antiga Tchecoslováquia, o jogador cobrou o que seria o primeiro pênalti da história com paradinha. Esse recurso inovador rendeu ao seu time o título da competição, ao vencer a decisão pelo placar de 1 a 0.

Assim, ao lado de jogadores como o goleiro Félix, Rivelino, Doval e Erivelto, Marinho Chagas já começou fazendo grande sucesso pelo Fluminense. Tanto que em diversos torneios internacionais o jogador se destacou, não apenas dentro, mas também fora de campo. Com o seu jeito irreverente, Marinho chegou a xavecar a princesa de Mônaco, mostrando todo o seu poder de galanteador.

Dessa forma, a bruxa Marinho Chagas não conquistou apenas princesas em suas atuações em torneios internacionais, mas também o Rei, do futebol. Em um amistoso contra a Nigéria, o jogador atuou ao lado de Pelé com a camisa do Fluminense e após uma performance impecável, recebeu um convite inusitado. Na ocasião, o lateral foi convidado para jogar no New York Cosmos, equipe que Pelé tinha influência e acabara de defender.

Assim, Marinho Chagas se despediu do Fluminense após ter jogado apenas uma temporada com a camisa da equipe. No total ele defendeu o tricolor em 93 jogos, anotando 39 gols.

Parceria com Beckenbauer no New York Cosmos

Após a influência de Pelé, Marinho Chagas passou a integrar a equipe do New York Cosmos em 1978. Na ocasião, o jogador se tornava mais um brasileiro a representar a equipe estadunidense, logo após o Rei do Futebol e o lateral direito Carlos Alberto Torres.

Na equipe, Marinho foi tratado como um verdadeiro astro de Hollywood, o que combinou com o seu estilo de rockstar. De quebra, ele ainda atuou ao lado de outra grande estrela do futebol, o alemão Franz Beckenbauer, embora que por pouco tempo.

Mas sua passagem pelo Cosmos durou apenas uma temporada e o lateral não conseguiu faturar títulos, por mais que estivesse em uma equipe estrelada. Dessa forma, Marinho Chagas atuou em 30 partidas com a camisa do time nova-iorquino, com 9 gols marcados. Pois logo depois, no ano seguinte, o jogador se transferiu para outro clube da terra do Tio Sam.

No Fort Lauderdale Strikers, Marinho continuou fazendo o seu pé de meia em terras estrangeiras, se aproveitando de sua grande fase no futebol. E assim como no Cosmos, o jogador atou durante uma temporada, com 19 partidas e 3 gols anotados.

Volta ao Brasil para jogar no São Paulo FC

Marinho Chagas com a camisa do São Paulo.

Quando saiu do Fluminense, no final de 1978, Marinho Chagas estava em alta no futebol brasileiro. Dessa forma, ele continuou com o seu status de grande lateral nos Estados e por conta disso, o São Paulo o repatriou mesmo aos 29 anos de idade. Vale lembrar, que naquela época, um jogador com quase 30 anos já era considerado um veterano no futebol.

Porém, o tricolor paulista apostou no futebol do lateral mesmo assim, aposta essa que deu muito certo. Tanto que logo em 1981, seu primeiro ano no São Paulo, Marinho foi fundamental na conquista do título paulista em meio à um super time tricolor. Ao seu lado estiveram grandes craques como o goleiro Waldir Peres, Dario Pereyra, Serginho Chulapa e Mário Sérgio.

Ainda no mesmo ano, Marinho voltou a brilhar, dessa vez no Campeonato Brasileiro. Ele se destacou na boa campanha tricolor na competição, ao chegar à grande decisão contra o Grêmio, que foi perdida nos dois jogos. Porém, esse revés não impediu que o jogador recebesse mais um prêmio Bola de Prata da Revista Placar.

Logo depois de um primeiro ano espetacular com a camisa tricolor, Marinho começou a cair de nível técnico e físico. A grande explosão na lateral e a velocidade de outrora já não eram mais as mesmas e o jogador atuou pelo São Paulo até o final de 1983.

Dessa forma, Marinho Chagas se despediu do tricolor após duas temporadas realizadas, com um título paulista. No total de sua passagem pelo clube, o jogador atuou em 85 jogos e anotou 4 gols.

De volta para casa, Marinho Chagas retorna ao nordeste

Em 1983, Marinho Chagas teve um breve retorno ao futebol do Rio de Janeiro para vestir a camisa do Bangu. Na equipe carioca, o jogador atuou em apenas uma partida oficial e logo retornou ao nordeste.

Então, em 1984, Marinho acertou com o Fortaleza e na equipe cearense, o jogador teve mais uma breve passagem em sua carreira. Tanto que no time tricolor, o lateral atuou em apenas 14 partidas, mas conseguiu balançar as redes em uma oportunidade.

Em seguida, no ano de 1985, o jogador de fato de voltou para casa, na cidade de Natal, local onde nasceu. Na ocasião, Marinho acertou com uma equipe no qual nunca tinha jogado antes, embora fosse de sua cidade, o América de Natal. Mas, por conta do fato de não estar em seu auge físico, o lateral atuou em apenas 7 jogos pela equipe, sem anotar gols.

Fim de carreira no exterior: EUA e Alemanha

Já em fim de carreira, aos 34 anos, Marinho Chagas retornou aos Estados Unidos em 1986 para fazer o seu pé de meia. Por lá, o jogador vestiu a camisa do Los Angeles Heat, para atuar na Western Soccer Alliance, liga já extinta do futebol norte-americano.

Na temporada seguinte, antes de encerrar a carreira, o lateral realizou um sonho antigo, de atuar no futebol alemão. Com a camisa do Harlekin Augsburg, Marinho Chagas retornou à Alemanha, após a Copa do Mundo de 1974, quando ele chegou a ser cogitado para atuar no futebol dos pais. Portanto, foi com a equipe alemã, em que o jogador encerrou a carreira, aos 35 anos de idade.

Aposentadoria e carreira pós-aposentadoria

Marinho Chagas em seus últimos anos de vida.

Em 1988, atuando pela equipe do Harlekin Augsburg da Alemanha, Marinho Chagas viu que realmente não tinha como dar prosseguimento à carreira. Tanto que, já nos anos anteriores, o jogador de 35 anos planejava encerrar a carreira, justamente por não reunir as condições físicas de outrora.

Após a sua aposentadoria, Marinho Chagas se mudou para os Estados Unidos, a fim de começar uma nova carreira, como treinador. No país, o ex-jogador morou durante os anos 1990 e treinou algumas equipes de menor expressão. Nesse meio tempo, ele ainda teve uma breve aventura na seleção da Líbia, mas não obteve muito sucesso.

Nos anos 2000, Marinho enfim retornou ao Brasil, para ser treinador do Alecrim do Rio Grande do Norte. Mas na equipe, a sua passagem se resumiu a alguns meses, apenas durante a realização do Campeonato Potiguar.

Após observar que a carreira de treinador não estava dando muito certo, o ex-jogador passou a fazer alguns breves trabalhos como comentarista esportivo. Em 2011, ele foi contratado pela TV Bandeirantes de Natal para fazer dois programas, “Palavra da Bruxa” e “Histórias da Bruxa”.

Mas, o ex-jogador não durou muito tempo na televisão e o seu estilo de vida festeiro e irreverente começou a lhe custar a saúde e sua condição financeira. Para piorar, Marinho passou por alguns problemas pessoais, como seu divorcio e afundou de vez no alcoolismo, o que agravou seus problemas de saúde.

Então, em 2014, o lateral-esquerdo brasileiro da Copa de 1974 foi internado em João Pessoa, cidade onde estava residindo. Com uma hemorragia gástrica, Marinho Chagas não resistiu e faleceu aos 62 anos de idade. Mas seu legado não se apagou e em 2018 ele foi homenageado pelo ABC de Natal com uma estatua.

Marinho Chagas na Seleção Brasileira

Período em que vestiu a camisa amarelinha.

Como destaque no Botafogo e atual melhor lateral esquerdo do futebol brasileiro, Marinho Chagas foi convocado para a seleção brasileira em 1973. Seu primeiro jogo com a amarelinha foi em um amistoso contra a Suécia, no qual o escrete brasileiro saiu derrotado por 1 a 0.

Mas, mesmo com a derrota, Marinho voltou a vestir a camisa da seleção e anotou o seu primeiro gol com o escrete logo em seu segundo jogo. Em mais um amistoso, dessa vez contra a Tchecoslováquia, foi dele o único gol marcado na partida.

Por ser um lateral de extrema habilidade, com um talento incomum para um defensor, Marinho foi convocado para a Copa do Mundo de 1974. Porém, apesar das expectativas, ele não conseguiu faturar o torneio e a seleção brasileira amargou um quarto lugar. Contudo, esse revés não impediu que o jogador fosse amplamente elogiado pela imprensa local, rendendo algumas especulações de times locais que queriam contrata-lo.

Após o mundial, Marinho voltou a jogar algumas partidas das eliminatórias para a Copa do mundo de 1978 e também alguns amistosos. Até que em 1977, ele realizou a sua última partida com a seleção brasileira, às vésperas do mundial, em um amistoso contra a Iugoslávia. Esse jogo coroou a sua passagem de 36 partidas, com 4 gols marcados.

Dessa forma, o jogador se despediu do escrete canarinho sem nenhum título conquistado, mas com boas histórias para contar. Até porque, ele esteve ao lado de outros grandes craques como Luís Pereira, Rivelino, Paulo Cézar Caju, Jairzinho, Toninho Cerezo e Paulo Isidoro.

Copa de 1974: titular e briga com Leão

Em alta no futebol brasileiro, Marinho Chagas se tornou titular inquestionável na lateral esquerda do escrete canarinho na Copa do Mundo de 1974. Tanto que ele superou outro grande jogador da posição, o lateral esquerdo Marco Antônio, que vivia uma ótima fase no Fluminense.

Sendo assim, Marinho se tornou homem de confiança do técnico Zagallo, tanto que atuou em todos os jogos do mundial na Alemanha. Inclusive, em todas essas partidas, o jogador se destacou por seu enorme talento em subir para o ataque, algo que chamou atenção da imprensa alemã.

Mas, esse estilo revolucionário do lateral não agradava a todos, o que rendeu uma calorosa discussão com o goleiro Emerson Leão. Naquela Copa, o Brasil foi eliminado ao perder para a Holanda na segunda fase de grupos e teve que disputar o terceiro lugar da competição contra a Polônia. Nesse jogo, o escrete canarinho foi derrotado por 1 a 0 e após o apito final, o arqueiro brasileiro discutiu com Marinho Chagas no vestiário, por causa das subidas do lateral ao ataque.

 

2 Comments

  1. mario disse:

    Marinho chagas foi lateral esquerdo que já vi jogar moderno também atuou no meio do campo crack.

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