Julinho Botelho

Meia-atacante, Ponta-direita
583 Jogos Oficiais
7 Títulos Oficiais
217 Gols Marcados
Julinho Botelho Brasil - São Paulo
Nascimento 28 de julho de 1929
Falecimento 11/01/2003
Apelidos Julinho
Carreira Início: (1950) Juventus
Término: (1967) Palmeiras
Características Altura: 1,77 m
Destro
Posição / Outras posições Ponta-direita / Meia-atacante

Perfil / Estilo do jogador

Julinho Botelho foi um ponta-direita de extrema habilidade e velocidade – para não dizer liso – que escapava dos zagueiros adversários com muita maestria. Tudo isso, mesmo sendo alto e esguio para a posição, com seu 1,77 m. Além disso, sua finalização era precisa, o que lhe permitia fazer muitos gols durante a carreira, por todas as equipes por onde passou. O craque que representou as cores de Portuguesa, Fiorentina e Palmeiras, também chegou a atuar na função de meia-direita, principalmente no período em que vestiu a camisa da seleção brasileira.

Categoria de base

Data Clube    
1950 Juventus    

Clubes em que atuou

Data Clube Jogos Gols
1951-1954 Portuguesa 191 90
1955-1958 Fiorentina 96 23
1958-1967 Palmeiras 269 91

Histórico pela Seleção

Ano Seleção Jogos Gols
1952-1965 Brasil 27 13

Conquistas por Clubes

Clube Título Temporada
Portuguesa Torneio Rio–São Paulo 1952, 1955
Fiorentina Campeonato Italiano 1955–56
Palmeiras Campeonato Paulista 1959, 1963
Palmeiras Campeonato Brasileiro 1960
Palmeiras Torneio Rio–São Paulo 1965

Desempenho

0,37
Média
Gols por jogo
0,411
Média
Títulos / Anos de carreira (Profissional)
Força
3
Passe
4
Controle de Bola
4
Drible
5
Velocidade
4
Técnica
5
Finalização
4
Condicionamento Físico
3
Fundamentos Defensivos
1

Biografia

Julinho Botelho: um dos maiores pontas-direitas do futebol brasileiro

Julinho Botelho: craque brasileiro dos anos 1950.

Julinho Botelho foi um dos maiores craques do futebol brasileiro entre os anos 1950 e 1960. Pouco badalado, não era muito fã de holofotes, tanto que recusou as convocações para a Copa do Mundo de 1958 e 1962, por achar que havia outros jogadores em melhores condições de jogo. Alto e esguio para um ponta-direita, Julinho compensava com habilidade e velocidade, sempre escapando dos zagueiros adversários com maestria.

Sua carreira em clubes começou no tradicional Juventus-SP da Mooca, equipe pela qual atuou por apenas seis meses. Até porque, logo depois, chamou a atenção da Portuguesa, fazendo parte da melhor geração da história da equipe.

Com tamanho sucesso na Lusa, foi contratado pela Fiorentina e faturou o primeiro Campeonato Italiano da história do clube em 1955. Como se não bastasse, em seguida, Julinho ainda faturou mais dois vice-campeonatos nacionais e um vice-continental. Com tantos feitos, foi eleito o maior jogador da história da Viola, em eleição realizada em 1996.

De volta ao Brasil, fez parte da primeira Academia de Futebol do Palmeiras, conquistando o primeiro Campeonato Brasileiro da história do clube em 1960. Sem contar que no time alviverde, ainda faturou mais um Torneio Rio-São Paulo e mais dois Campeonatos Paulistas, fazendo com que aquela geração fosse uma das mais vencedoras da história.

Na Seleção Brasileira, Julinho disputou a Copa do Mundo de 1954, sendo um dos melhores da competição – para Puskas ele foi o melhor. Por essas e outras que ele é considerado um dos maiores pontas-direitas da história do futebol brasileiro, depois de Mané Garrincha. Até porque, além de humilde, jogava um futebol capaz de deixar todos de queixo caído.

Julinho faleceu em 2003, aos 73 anos, em seu bairro natal, a Penha, vítima de problemas cardíacos.

Infância, histórico e inspirações

Júlio Botelho, ou simplesmente Julinho Botelho, nasceu no dia 29 de julho de 1929, no bairro da Penha, na cidade de São Paulo. Foi em seu bairro de infância, que o pequeno garoto começou a jogar algumas peladas no futebol da várzea, o que lhe fez tomar gosto pelo esporte.

Com muita qualidade com a bola nos pés, durante a adolescência, Julinho foi tentar a sorte em um teste no Corinthians. Ele tinha até mesmo posição definida, ponta-direita, mas acabou não passando nos testes, pois o time alvinegro o queria na lateral esquerda.

Contudo, essa baixa não foi suficiente para derrubar Julinho, pois ele continuou jogando na várzea até receber um convite para jogar nos aspirantes do Palmeiras, aos 19 anos.  Mas, por ter jogado uma partida pelo time do Sindicado dos Tecelões, o jogador não agradou a cúpula alviverde e foi dispensado pela equipe. Sem clube, não lhe restou outra alternativa senão continuar tentando. Foi então que, em 1950, o Juventus da Mooca lhe ofereceu uma oportunidade.

Dessa forma, ao completar 21 anos, Julinho passou a jogar praticamente ao lado de casa com a camisa do Moleque Travesso. Por lá, ele não decepcionou e tamanho talento chamou a atenção da Portuguesa após apenas seis meses.

Julinho Botelho se torna o maior ídolo da história da Portuguesa

Julinho Botelho chegou à Portuguesa no início de 1951, por uma quantia de 50 mil cruzeiros. Contudo, a sua primeira partida não foi das melhores, pois a Lusa perdeu para o Flamengo pelo placar de 5 a 2. Em contrapartida, aquele resultado não foi muito impactante, tendo em vista que uma grande geração conduzida por Julinho estava prestes a se formar.

Apenas em sua primeira temporada, como dono da ponta-direita, o jogador deu o que falar. Em uma partida contra o Corinthians, time que um dia o dispensou, ele marcou quatro gols, em vitória por 7 a 3 sobre os alvinegros.

Dali em diante, Julinho foi um sucesso absoluto na Lusa e já na temporada seguinte, conquistou o Torneio Rio-São Paulo de 1952. Ao lado de craques como Bradãozinho, Pinga e Djalma Santos, o ponta-direita enfim se tornou a referência técnica da melhor geração da história da Portuguesa. Sem contar que ainda naquele ano, foi convocado pela primeira vez para jogar com a camisa da seleção brasileira.

Em seguida, o jogador voltaria a conquistar mais um título com a camisa da Lusa, o Torneio Rio-São Paulo de 1955, seu último pelo clube.  Já considerado um dos principais craques do futebol brasileiro, Julinho recebeu uma proposta para jogar na Itália, sob as cores da Fiorentina. Dessa forma, a Portuguesa não conseguiu segurá-lo e ele deixou a equipe após 191 partidas e 90 gols, como o maior ídolo da história.

Mais uma idolatria conquistada, dessa vez na Fiorentina

Julinho Botelho foi ídolo da Fiorentina.

Julinho Botelho foi contratado pela Fiorentina em 1955 pela quantia de 5,5 mil dólares, a maior contratação da Viola até então. Mal chegou ao clube, o jogador começou fazendo história, ao ter sido um dos principais responsáveis pelo título italiano da temporada 1955-56. Em uma campanha irretocável, com 12 pontos à frente do Milan, Julinho formou a geração mais emblemática da história da Fiorentina, ao lado dos italianos Giuseppe Virgili, Maurilio Prini, Armando Segato e do argentino Miguel Montuori.

Na temporada seguinte, 1956-57, por pouco Julinho não conquistou a Copa da Europa (atual Liga dos Campeões) com a camisa viola. Porém, do outro lado estava o Real Madrid de Alfredo Di Stefano, que bateu a Fiorentina pelo placar de 2 a 0 na segunda edição da história do torneio.

Ainda em 1956-57, o jogador conquistou mais um vice, dessa vez do Campeonato Italiano, repetindo a dose em 1957-58. Nas duas ocasiões, o título ficou com a Juventus de Turim.

Mas, mesmo com grandes atuações e campanhas históricas, Julinho já não se sentia feliz na Itália, justamente por saudades do Brasil. Era nítido que ele já não reunia alegria suficiente para entrar nos gramados com o mesmo ímpeto de sempre. Por conta disso, o jogador até recebeu um apelido nada agradável: “Senhor Tristeza”.

Em busca de sua alegria, Julinho se despediu da Fiorentina em 1958 para retornar ao Brasil. Com a camisa da Viola, o jogador atuou em 96 partidas e anotou 23 gols. Até hoje ele é reverenciado no clube, tendo sido eleito inclusive o maior ídolo de todos os tempos, em eleições realizadas em 1996.

Em busca da felicidade: a volta ao Brasil para atuar no Palmeiras

Com saudades de casa, Julinho Botelho desembarcou no Brasil na metade do ano de 1958 para atuar com a camisa do Palmeiras. Na ocasião, ele havia recebido as propostas de Corinthians e Fluminense, mas optou pelo clube alviverde de Palestra Itália. Embora chegasse a um time que vivia um jejum de títulos desde a Copa Rio de 1951, o jogador acreditou no projeto em que estava se formando.

O projeto, na ocasião, era nada menos do que o início da Primeira Academia de Futebol do Palmeiras, na qual Julinho fez parte. Ao lado de jogadores como Valdir de Morais, Djalma Dias, Djalma Santos – com quem foi parceiro na Portuguesa – Ademir da Guia, Servílio, ele faturou importantes títulos batendo de frente com o Santos de Pelé.

O primeiro dos títulos foi justamente em cima da equipe santista, o Campeonato Paulista de 1959. Em uma decisão de três jogos, o time alviverde venceu o jogo derradeiro por 2 a 1, com um gol do próprio Julinho Botelho. Como de costume, Pelé também havia deixado o dele.

Na temporada seguinte, em 1960, Julinho voltou a conquistar mais um título de peso, o primeiro Campeonato Brasileiro da história do Palmeiras. Em final de dois jogos contra o Fortaleza, o ponta-direita deixou o gol dele em goleada pelo placar de 8 a 2, já na partida de volta realizada no Pacaembu.

Para completar sua lista de títulos, Juninho Botelho ainda conquistou mais um Campeonato Paulista em 1963 e o Torneio Rio-São Paulo de 1965. Dois anos depois de conquistar o seu último título, o jogador decidiu encerrar sua carreira, em um período de transição das Academias do Palmeiras. Dessa forma, ele se despediu do Verdão como o maior ponta direita da história do clube, após 269 partidas realizadas e 91 gols marcados.

Aposentadoria e carreira pós-aposentadoria

Homenageado pela Fiorentina.

Honesto como sempre, Julinho Botelho sentiu que já reunia condições físicas para continuar atuando profissionalmente. Por isso, se despediu dos gramados aos 38 anos de idade, com a camisa do Palmeiras. Seu último jogo como profissional foi em sua homenagem, no dia 12 de fevereiro de 1967 contra o Náutico no Parque Antártica. Na ocasião, os alviverdes venceram o confronto pelo placar de 1 a 0.

Após encerrar a carreira, Julinho teve a missão justamente de treinar o Palmeiras no final da Primeira Academia. Porém, ele não conseguiu se destacar como esperado e deixou o clube em 1968, para uma breve volta em 1969, mas sem sucesso.

Ao deixar o Palmeiras, no início dos anos 1970, Julinho tentou a sorte como treinador na Portuguesa, equipe em que era ídolo. Entretanto, ele não foi capaz de dar as mesmas alegrias ao torcedor da Lusa, assim como fez enquanto era jogador, e deixou o clube. Em seguida, ainda teve uma breve passagem pelo Corinthians, porém, muito apagada.

Além de tentar a carreira de treinador, após se aposentar, Julinho era visto no meio do futebol também por outros motivos. Como por exemplo, em 1995, quando foi convidado de honra para celebrar os 40 anos do primeiro título italiano da Fiorentina.

Dali em diante, ele passou os últimos anos de sua vida em seu bairro de infância, a Penha. Foi então, que após lutar contra diversos problemas cardíacos, o eterno ídolo de Portuguesa, Fiorentina e Palmeiras não resistiu e faleceu aos 73 anos, no ano de 2003.

Julinho Botelho na seleção brasileira

Julinho Botelho na seleção brasileira.

Julinho Botelho foi convocado pela primeira vez para vestir a camisa da seleção brasileira em 1952, no torneio Pan-americano realizado no Chile. Logo de cara ele conquistou o título da competição e foi eleito um dos melhores jogadores.

Na temporada seguinte, Julinho ajudou o Brasil a chegar à grande final do Torneio Sul-americano, mas ficou no “quase” em decisão contra o Paraguai. Por conta de sua importância nos torneios continentais, o jogador foi convocado também como titular para a Copa do Mundo de 1954 na Suíça. No mundial, ele foi um dos principais destaques, mesmo com a seleção brasileira caindo nas quartas de finais.

Após a Copa, Julinho Botelho foi convocado pela seleção brasileira apenas em 1959, tendo recusado a convocação para o mundial de 1958, em que poderia ter sido campeão. O mesmo ele fez em 1962, quando recusou mais uma convocação por não se sentir em forma para a disputa da Copa. Com isso, a partir dali, o jogador só disputou partidas amistosas com a camisa da seleção, até o seu jogo de despedida, em vitória por 3 a 0 contra o Uruguai em 1965.

Mesmo não conquistando títulos mundiais, na seleção brasileira, Julinho ficou marcado por sua humildade e por ser um dos maiores craques do futebol brasileiro nos anos 1950. E isso tudo, mesmo em meio a outros grandes craques como Zizinho, Baltazar, Váva, Didi e Pelé.

Sendo assim, sua trajetória na seleção, entre idas e vindas, durou 13 anos e obteve 27 jogos com 13 gols marcados.

Copa de 1954: Julinho Botelho é titular e grande destaque

Em seu terceiro ano na seleção brasileira, sendo titular absoluto, Julinho Botelho foi convocado para a Copa do Mundo de 1954 na Suíça. Praticamente como um ala direita, ostentando a camisa 7. O jogador foi o maior destaque do escrete que acabara de se tornar canarinho – após o Maracanaço – e também do mundial.

Em uma fase de grupos de apenas dois jogos, na estreia, Julinho comandou a seleção brasileira em goleada por 5 a 0 contra o México e anotou um gol. No segundo jogo, ele também foi importante no duro empate em 1 a 1 contra a Iugoslávia, que garantiu a classificação do Brasil.

Com os dois resultados na primeira fase, a seleção brasileira teve que encarar um adversário duro pela frente, a Hungria. Infelizmente, o Brasil não resistiu ao poder do time húngaro e perdeu por 4 a 2, mesmo com um gol de Julinho Botelho. Na época, a Hungria contava com a melhor geração de sua história, com jogadores como Mihály Lantos, Zoltán Czibor e Ferenc Puskás.

Contudo, Puskás não atuou naquela partida por conta de uma grave lesão, mas mesmo assim, rasgou elogios a Julinho, dizendo que o ponta foi o melhor jogador daquela Copa.

Copas de 1958 e 1962: Julinho Botelho declina convocação

Mesmo que estivesse há quatro anos sem vestir a amarelinha, Julinho Botelho foi lembrado para a Copa do Mundo de 1958 na Suécia. Na época, ele estava acertando a sua ida ao Palmeiras e se encontrava infeliz na Fiorentina. Então, ele recusou a convocação de Vicente Feola por achar que Mané Garricha – que à época atuava no Botafogo – estivesse em melhor fase. Com isso, acabou não participando da primeira conquista mundial do Brasil.

Em 1962, em grande fase no Palmeiras, Julinho voltou a ter seu nome lembrado na seleção, dessa vez pelo técnico Aymoré Moreira. Contudo, o jogador, que estava com 33 anos, teve a humildade de reconhecer que não reunia condições físicas para a disputa do mundial, dado contusão que sofrera no último treino antes da copa. Na época, ele cedeu lugar ao ponta-direita Jair, que atuava pela Portuguesa.

13 de maio de 1959: o dia em que foi aplaudido e vaiado no Maracanã

Em 13 de maio de 1959, Julinho Botelho foi convocado para o amistoso contra a Inglaterra no Maracanã. Mas, ao contrário do esperado, foi ele o escolhido como titular para a partida, deixando Garrincha no banco por estar acima do peso.

Contudo, a escolha do treinador Vicente Feola não agradou a torcida brasileira, que vaiou Julinho Botelho antes mesmo de ele entrar em campo. Ao ouvir as vais do vestiário, o jogador se virou para Nilton Santos e prometeu que iria jogar bem. Não deu outra, pois Julinho foi o dono da partida, com um gol e uma assistência, transformando as vaias em aplausos.

Garrincha x Julinho Botelho: dois craques para a mesma posição

Craque da mesma posição que Garrincha.

De 1952 a 1954, Julinho Botelho era titular da seleção brasileira, até passar por um período sem ser convocado. Nesse meio tempo, o escrete canarinho encontrou outro grande jogador, que também atuava como ponta-direita, Mané Garrincha.

Dali em diante, Garrincha passou a tomar conta da titularidade da seleção brasileira como ponta-direita. Na Copa do Mundo de 1958, por exemplo, mesmo ficando no banco nos dois primeiro jogos, ele se firmou como titular e ajudou o Brasil a conquistar o mundial. Naquele ano, Julinho havia declinado da convocação e se encontrava infeliz na Fiorentina.

Em 1962, ocorreu uma situação parecida e Garrincha foi o grande astro do bicampeonato mundial do Brasil. Com as duas recusas de Julinho, podemos afirmar que ele jamais chegou a brigar por posição de maneira direta com Mané. Sem contar que, no auge de Botelho na seleção, Garrincha estava começando no Botafogo e caso houvesse uma briga por posição em 1962, o craque da Estrela Solitária levaria a melhor.

Por outro lado, em se tratando de estilo de jogo, ambos eram rápidos e habilidosos, embora Julinho fosse considerado alto para um ponta-direita. Contudo, Garrincha era mais driblador, tendo como principal recurso as suas famosas fintas.

 

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