Djalma Santos

Lateral Direito, Volante, Zagueiro
1148 Jogos Oficiais
9 Títulos Oficiais
50 Gols Marcados
Djalma SantosBrasil - São Paulo-SP
Nascimento 26 de fevereiro de 1929
Falecimento 23/07/2013
Apelidos Djalmada
Carreira Início: (1948) Portuguesa
Término: (1972) Athletico Paranaense
Características Altura: 1,73 m
Destro
Posição / Outras posições Lateral-direito / Zagueiro / Volante
Copa do Mundo

1958, 1962

Perfil / Estilo do jogador

Exímio marcador, Djalma Santos foi um lateral-direito que guardava posição e até por isso dava tranquilidade para que os atacantes de suas equipes tivessem tranquilidade para marcar gols. Versátil, iniciou a carreira como zagueiro e logo depois passou a atuar como volante, e como para ele não tinha tempo ruim, aceitou na sequência, a função de lateral, na qual se tornou uma lenda. Além disso, o jogador ficou conhecido pelo seu potente arremesso, capaz de lançar a bola na área, o que muitas vezes foi utilizado como uma arma ofensiva. Sempre leal e limpo nas marcações, o craque do bicampeonato mundial também é lembrado por jamais ter sido expulso na carreira mesmo sendo defensor.

Categoria de base

Data Clube    
Parada Inglesa 1941    
Portuguesa 1941-1948    

Clubes em que atuou

Data Clube Jogos Gols
1948-1959 Portuguesa 510 33
1959-1968 Palmeiras 501 12
1968-1972 Athletico Paranaense 39 2

Histórico pela Seleção

Ano Seleção Jogos Gols
1952-1968 Brasil 98 3

Conquistas por Clubes

Clube Título Temporada
Portuguesa Torneio Rio-São Paulo 1952, 1955
Palmeiras Campeonato Paulista 1959, 1963, 1966
Palmeiras Campeonato Brasileiro 1960, 1967, 1967
Palmeiras Torneio Rio-São Paulo 1965
Athletico Paranaense Campeonato Paranaense 1970

Conquistas pela Seleção

Título Ano
Copa do Mundo 1958, 1962

Conquistas Individuais

Prêmio Ano Representando
Seleção da Copa do Mundo FIFA 1954, 1958, 1962 Seleção Brasileira
Seleção de futebol do Século XX(Revista Placar) 1981
FIFA 100 2004
Seleção de Todos os Tempos da Copa do Mundo FIFA 1994
Melhor time de todas as Copas 1994
Revista Venerdì - 100 Magnifici 1997
Troféu Belfort Duarte 1955

Desempenho

0,435
Média
Gols por jogo
0,375
Média
Títulos / Anos de carreira (Profissional)
Força
4
Passe
3
Controle de Bola
3
Drible
3
Velocidade
4
Técnica
4
Finalização
3
Condicionamento Físico
5
Fundamentos Defensivos
5

Biografia

Djalma Santos: bi-campeão do mundo e um dos melhores laterais direitos da história

Djalma Santos: bicampeão do mundo.

Considerado um dos melhores laterais direitos da história, Djalma Santos marcou época, principalmente ao conquistar o bicampeonato da Copa do Mundo em 1958 e 1962. Inclusive, em duas eleições realizadas pela própria FIFA em 1997 e 2000, o jogador foi eleito o maior lateral-direito de todos os tempos.

Mas se engana quem pensa que Djalma Santos passou toda a carreira atuando na lateral-direita, pois ele começou na Portuguesa justamente como zagueiro e posteriormente jogou como volante. Foi dali em diante, que ele de fato se firmou na lateral, cravando seu nome como um dos melhores do país, gerando inclusive interesse do Palmeiras.

Foi jogando na equipe alviverde, no período da primeira Academia, que o craque viveu o seu melhor momento da carreira. No Verdão, ele conquistou os seus títulos mais importantes em clubes, como os 3 Campeonatos Brasileiros. Ainda deu tempo de o jogador vestir as cores do Athletico Paranaense, já em reta final da carreira, sendo fundamental em um período de reconstrução da equipe.

Por ser um craque na lateral direita, Djalma Santos representou a seleção brasileira em quatro Copas do Mundo, nos anos de 1954, 1958, 1962 e 1966. Sendo que em 1954 e no bicampeonato de 1958 e 1962, o jogador fez parte do time dos melhores da Copa, sendo eleito o melhor de sua posição.

Toda essa genialidade se resume em uma das principais características do jogador, que é o seu estilo limpo nas jogadas. Para se ter uma ideia, mesmo sendo defensor, Djalma Santos jamais foi expulso durante a carreira. Além disso, ele sempre foi muito lembrado por ser pioneiro no potente arremesso lateral capaz de atingir a área.

 “Djalma Santos põe, no seu arremesso lateral, toda a paixão de um Cristo Negro”, Nelson Rodrigues.

Infância, histórico e inspirações

Dejalma Dos Santos, mais conhecido como Djalma Santos, nasceu no dia 27 de fevereiro de 1929, em São Paulo, no bairro do Bom Retiro, justamente onde nasceu o seu clube do coração, o Corinthians. Em seus primeiros anos, o pequeno garoto passou boa parte do tempo no bairro da Parada Inglesa. Bairro esse, onde logo começou a tomar gosto pelo futebol, sua forma de lazer favorita.

Portanto, enquanto estudava, Djalma Santos passava o dia chutando bola na rua com os outros garotos de maneira despretensiosa. Até que, junto com seus amigos, ainda na infância, o jovem começou a atuar pelo Internacional da Parada Inglesa, time amador, após ter sido recusado por Ypiranga, São Paulo e Comercial. Apesar das recusas, ele não desistiu e se firmou em meio aos juvenis de sua equipe, até dar um passo importante na carreira.

Quis o destino que a sua trajetória se iniciasse na Portuguesa e não no Corinthians, após despertar o interesse de um ex-goleiro da Lusa que o observava jogar. Dessa forma, Djalma foi levado para a Lusa com apenas 12 anos de idade e começou a fazer parte do time de juvenis, enquanto também trabalhava em uma fábrica.

Nessa correria, entre seu emprego na fábrica e treinos, Djalma Santos viveu uma rotina intensa, até fazer parte do time de aspirantes da Portuguesa já com contrato assinado. Em meio aos aspirantes, o jogador agradou, principalmente por sua habilidade na marcação e sua versatilidade. Para se ter uma ideia, ele atuou em mais de uma posição em campo, como zagueiro, volante e por fim, lateral-direito.

Foi então que em 1946, Djalma Santos enfim passou a integrar o time principal da Portuguesa. Porém, ele só faria a sua estreia dois anos depois, em 1948.

Na Portuguesa, nasce uma lenda do futebol

Antes de atuar como titular da Portuguesa, a lenda Djalma Santos já começava a nascer para o futebol. Pois foi antes de entrar em campo pela equipe, o jogador deixou o meio-campo para atuar na lateral-direita, posição onde se tornou um monstro sagrado. Na ocasião, a Lusa contratou Brandãozinho para atuar como meio-campista, fazendo com que Djalma fosse deslocado para a posição onde se consgraria como um dos melhores laterais da história.

Djalma Santos estreou com a camisa do clube em 1948, em uma partida contra o Santos pelo Campeonato Paulista. Dali em diante, ele tomou conta da lateral direita e em pouco tempo, se tornou um dos melhores do país.

Tanto que em 1952, foi convocado pela seleção brasileira pela primeira vez, por tamanho talento mostrado com a camisa da Lusa. Naquele ano ainda, Djalma conquistaria o seu primeiro título como profissional, o prestigioso Torneio Rio-São Paulo. Anos depois, ele voltaria a conquistar essa competição, mais precisamente em 1955, quando de fato se tornou o melhor lateral do Brasil.

Por conta disso, a missão da Portuguesa de segurar o jogador se tornou praticamente impossível, ainda mais após a Copa do Mundo de 1958, quando grandes clubes passaram a procura-lo. O primeiro time a procurar o lateral foi o Fluminense e logo em seguida o Palmeiras entrou na páreo.

Dentre essas duas equipes, Djalma optou pelo Palmeiras, que naquele ano de 1959, contava com o treinador Oswaldo Brandão e o craque Julinho Botelho, duas figuras que estiveram ao seu lado na Portuguesa. Foi então, que o jogador deixou a Lusa após 510 jogos e 33 gols marcados.

No Palmeiras, Djalma Santos vive os melhores anos de sua carreira

Sob a chancela do lendário treinador Oswaldo Brandão, Djalma Santos chegou ao Palmeiras em 1959 para ajudar a formar a famosa Primeira Academia de Futebol. Quis o destino que ele fizesse sucesso justamente no rival do seu time de infância. Sendo assim, ao lado de verdadeiras lendas como Ademir da Guia, Djalma Dias (pai de Djalminha), Julinho Botelho e Servíllio, o jogador fez parte de uma das gerações mais emblemáticas do futebol.

Junto com esses craques, Djalma Santos disparou em conquistar títulos, ainda como o melhor lateral direito do país, mesmo com a forte rivalidade com o Santos de Pelé. Logo em seu ano de estreia, o jogador conquistou o Campeonato Paulista, competição que voltaria a conquistar em 1963 e 1966. Já em 1960, ele conquistaria um dos títulos mais importantes, se não o mais importante de sua carreira, atuando em clubes.

Naquele ano, o lateral faturou o primeiro título brasileiro da história do Palmeiras, a Taça Brasil. Na competição, ele foi essencial na defesa, guardando posição na maioria das vezes, o que deu tranquilidade ao potente ataque palmeirense. Por pouco ele não conquistou a Libertadores da temporada seguinte (Palmeiras foi vice-campeão), campeonato que estava apenas na sua 2ª edição.

Mas, Djalma Santos voltou a faturar grandes conquistas pelo Palmeiras nos anos seguintes, como por exemplo, a Taça Brasil de 1967 e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa do mesmo ano. De quebra, nesse meio tempo, ele ainda conquistaria o Torneio Rio-São Paulo de 1965. O mais impressionante, é que o jogador faturou todos esses títulos beirando os 40 anos de idade, tamanho era o seu vigor físico.

Foi então, quando completou 39 anos, e 1968, o lateral deixou o Palmeiras, que na época passava por uma reformulação para formar uma nova Academia. Sendo assim, Djalma Santos se despediu do clube com 501 jogos e 12 gols marcados.

Já em fim de carreira, Djalma Santos ajuda a resgatar o Athletico Paranaense

Reta final de carreira no Athletico Parananense.

Em 1968, Djalma Santos acertou com o Athletico Paranaense, por conta de uma antiga promessa que havia feito ao então presidente do clube. Na ocasião, o mandatário sugeriu que o lateral acertasse com a equipe quando estivesse em final de carreira e foi isso que Djalma fez.

Ao lado de outros atletas já experientes como Bellini (capitão da seleção em 1958), Nair e Gildo, Djalma Santos ajudou o Athletico a se reerguer. Logo em sua primeira temporada, ele esteve presente na volta da equipe à primeira divisão do futebol estadual, após uma polêmica virada de mesa. Em 1970, veio a grande coroação, a conquista do Campeonato Paranaense, título que a equipe não conquistava havia 12 anos, com Djalma sendo eleito o melhor lateral-direito da competição.

O craque ficou no Furacão até 1972, quando resolveu se aposentar aos 41 anos de idade, já por conta do desgaste físico. Tanto que na equipe ele não atuou na grande maioria das partidas, somando apenas 39 jogos em quatro anos, com dois gols anotados.

Aposentadoria e carreira pós-aposentadoria

Djalma Santos após aposentadoria.

Já em seu final de carreira, Djalma Santos começou a ajudar o Athletico Paranaense fora das quatro linhas, sendo jogador e treinador ao mesmo tempo. Foi então que, no alto de sua experiência, o craque resolveu pendurar as chuteiras aos 41 anos e passou a se dedicar apenas à função de treinador. Seu último jogo oficial foi em janeiro de 1971, na Vila Capanema, antiga casa do Athletico, em amistoso contra o Grêmio.

Após deixar o Furacão, o seu primeiro trabalho na função de treinador foi fora do Brasil, no Bolivar, time tradicional da Bolívia. Porém, Djalma Santos não foi feliz na equipe e logo tentou a sorte em outra agremiação, o Sport Boys do Peru. Contudo, mais uma vez ele não conseguiu desenvolver um bom trabalho e regressou ao Brasil.

De volta ao Brasil, Djalma Santos assumiu o Sampaio Corrêa do Maranhão em 1976, mas assim como em outras equipes, não conseguiu exercer um bom trabalho. Por fim, o ex-jogador ainda trabalhou na Itália em clubes de divisões inferiores nas categorias de base, porém a experiência não foi das melhores.

Com tantos resultados negativos na carreira de treinador, o ex-craque da lateral não conseguiu repetir o bom trabalho que havia realizado dentro das quatro linhas. Dessa forma, ele percebeu que não se adaptaria a essa nova carreira e resolveu desistir.

Então, Djalma Santos resolveu fincar o seus pés na tranquila cidade de Uberaba, Minas Gerais, onde passaria os seus últimos anos de vida. Em uma casa afastada das grandes multidões, ele viveu com sua família até 2013, ano de seu falecimento. Vítima de uma parada cardiorrespiratória, o eterno craque da lateral-direita faleceu sem muito alarde, porém sua grandeza no futebol sempre irá ecoar.

Djalma Santos na Seleção Brasileira

Djalma Santos na seleção brasileira.

Sem sombra de dúvidas, a seleção brasileira é um capítulo à parte na carreira de Djalma Santos. Capítulo esse que começou ainda no início de sua trajetória como jogador, em 1952, quando foi convocado para participar dos jogos Pan-americanos. Porém, sua estreia pela seleção principal ocorreria um ano depois, no Campeonato Sul-Americano de 1953.

Porém, na competição da América do Sul, mesmo como titular, Djalma Santos não impediu a derrota brasileira na final contra o Paraguai. Assim como não evitou a eliminação brasileira contra a Hungria, nas quartas de finais da Copa do Mundo do ano seguinte. Embora a seleção brasileira não tenha obtido grande desempenho, Djalma fez uma grande exibição no mundial, o que o elegeu para a seleção de melhores do torneio.

Dono da lateral direita, o jogador atuou também no sul-americano de 1956, mas sem muito êxito, pois a seleção brasileira não passou da primeira fase. Assim como na edição da competição do ano seguinte, em que o Brasil mais uma vez não passou da primeira fase de grupos.

Porém, em 1958, a coroação veio em grande estilo e o Brasil conquistou o seu inédito título de Copa do Mundo. Feito que voltaria a se repetir em 1962, conquistando um bicampeonato, no que marcou a incrível geração comandada por Pelé e Garrincha. Nas duas conquistas, Djalma Santos foi eleito novamente o melhor jogador da posição, mesmo que em 1958 tenha jogado apenas a final.

Ainda deu tempo de o jogador atuar em seu último mundial, o de 1966,na altura dos seus 37 anos de idade, provando toda a sua vitalidade. Mas, nessa competição, o Brasil não convenceu e sequer passou da fase de grupos. Após o mundial, Djalma Santos ainda vestiu a amarelinha pela última vez em 1967, em amistoso contra o Uruguai, encerrando uma trajetória de 98 partidas com 3 gols marcados.

Copa de 1958: titularidade conquistada durante a copa

Às vésperas da Copa do Mundo de 1958, na Suécia, Djalma Santos era o lateral-direito titular da seleção brasileira. Porém, após a saída de Oswaldo Brandão, seu grande tutor no escrete, o jogador perdeu a posição. Na ocasião, Vicente Feola, preferiu contar com Nílton Di Sordí, lateral direito que na época atuava no São Paulo FC.

Porém, Di Sordí se lesionou no jogo da semifinal contra a França e coube a Djalma Santos assumir o posto de lateral-direito na grande decisão. Então, o jogador, que na época atuava pela Portuguesa, não fez feio diante dos donos da casa e foi o ponto de sustentação na defesa para que o Brasil desandasse em fazer gols. O placar de 5 a 2 para o escrete brasileiro, só foi possível graças a forte defesa que segurou a bucha lá atrás.

Como se não bastasse, a partida de Djalma Santos foi tão impressionante que, mesmo atuando apenas na final, ele foi eleito o melhor lateral-direito daquela Copa. Ou seja, o jogador esteve no time da FIFA entre os melhores da competição.

Copa de 1962: Djalma Bi-campeão e titular incontestável

Em 1962, não teve jeito, Djalma Santos retomou de vez a vaga de titular da lateral-direita da seleção brasileira. Ao lado de verdadeiras lendas como o goleiro Gilmar dos Santos Neves, Nilton Santos e Zózimo, o jogador fez parte de uma das melhores defesas da história do futebol.

Sempre seguro na marcação, o lateral atuou em todas as partidas da Copa do Mundo de 1962, no Chile, até levar o escrete brasileiro à grande decisão. Em mais uma partida contra a Tchecoslováquia, não deu outra, o Brasil venceu pelo placar de 3 a 1 e faturou o bicampeonato mundial.

Djalma Santos ficou marcado mais uma vez por ter sido um verdadeiro xerife no campo de defesa, dando solidez ao sistema defensivo para que o ataque brilhasse. Por conta disso, ele foi eleito novamente o melhor lateral-direito do mundial, pela terceira vez consecutiva.

Djalma Santos: melhor lateral direito da história?

Djalma Santos é o maior lateral-direito da história?

Em eleição realizada pela FIFA, nos anos de 1997 e 2000, Djalma Santos foi eleito o melhor lateral-direito da história do futebol. Além disso, ele foi considerado o melhor de sua posição também em algumas enquetes de jornais e revistas. Como por exemplo, na Revista Placar de 1981, em votação realizada por jornalistas e em 1997 e 2004, em enquete feita pelas revistas Venerdì e Tarde Newspaper.

Porém, ainda muito se discute sobre qual é o maior lateral-direito de todos os tempos. Até porque, justamente no Brasil, outras lendas da posição também são citadas entre torcedores e jornalistas. Como é o caso de Carlos Alberto Torres, o capitão do tri, Cafú, o capitão do penta, e o alemão Philipp Lahm, .

Mas, independente da opinião de cada um, a maioria das pesquisas apontam Djalma Santos como o melhor da posição na história do futebol. Não à toa, ainda mais por se tratar de um jogador que foi eleito três vezes um dos melhores da Copa do Mundo, que jamais foi expulso mesmo sendo defensor e que foi pioneiro do potente arremesso lateral.

 

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