River Plate

69 Títulos Oficiais
13.2 Milhões de Torcedores
River PlateBuenos Aires - Argentina
Fundação 24 de maio de 1901
Estádio / Capacidade Monumental de Nuñez / 70.074
Apelidos El Millonario, La Banda, El Más Grande
Principais rivais Boca Juniors
Apelido da torcida El Millonarios
Mascote Galo, Leão
Libertadores

1986, 1996, 2015, 2018

Mundial de Clubes

1986

Títulos conquistados pelo clube

Títulos Mundiais

Competição Títulos Temporada
Torneio Intercontinental 1 1986
Copa Aldao 5 1936, 1937, 1941, 1945, 1947
Copa Suruga Bank 1 2014

Títulos Continentais

Competição Títulos Temporada
Libertadores da América 4 1986, 1996, 2015, 2018
Copa Sul-Americana 1 2014
Supercopa Libertadores 1 1997
Recopa Sul-Americana 3 2015, 2016, 2019

Títulos Nacionais

Competição Títulos Temporada
Campeonato Argentino - Série A 36 1920, 1932, 1936, 1937, 1941, 1942, 1945, 1947, 1952, 1953, 1955, 1956, 1957, 1986, 1990, 1975, 1979, 1980, 1981, 1991, 1993, 1994, 1996, 1997, 1999, 2000, 2002, 2003, 2004, 2008, 2014
Copa da Argentina 12 1914, 1932, 1937, 1941, 1942, 1952, 1957, 2014, 2015-16, 2016-17, 2018-19
Supercopa Argentina 2 2017, 2019
Campeonato Argentino - Série B 2 1908, 2011-12

História

Índice

River Plate: gigante da América do Sul e líder em conquistas na Argentina

River Plate: uma das maiores equipes da América.

Uma das maiores equipes do futebol argentino, o River Plate é considerado o segundo time mais popular de seu país, perdendo apenas para o Boca Juniors. Porém, o clube ostenta o orgulho de ser o maior campeão nacional argentino, superando o seu maior rival.

Em um equilíbrio tão grande entre duelos e conquistas, o River Plate tem o Boca Juniors como o seu maior rival. As duas equipes inclusive, protagonizam uma das maiores rivalidades do mundo, conhecida popularmente como El Clássico.

Porém, o River não é reconhecido apenas por sua rivalidade e sucesso no futebol doméstico, mas também pela sua tradição no futebol sul-americano. O clube é quatro vezes campeão da Libertadores, com o seu primeiro título conquistado  em 1986, voltando a vencer em 1996, 2015 e 2018. Sem contar que ainda em 1986, a equipe faturou o seu único título mundial.

Antes de conquistar esses primeiros títulos internacionais nos 1980, o River Plate já havia contado com outra grande geração de jogadores digna de todas as conquistas. Conhecida como La Maquina, essa geração, encantou o mundo entre os anos 1940 e 1950. Tanto que nessas décadas, foram revelados grandes craques vencedores da Bola de Ouro, como Alfredo Di Stefano e Omar Sivori.

Em sua história, “Los Milionários”, como é popularmente chamado o River, também contou com outros craques como Roberto Perfumo, Mario Kempes, Francescoli, Ariel Ortega, Pablo Aimar, Mascherano, Crespo, Saviola, Marcelo Gallardo, dentre outros. Destes, Marcelo Gallardo se tornou ídolo também como treinador, assim como Angel Labruna e Ramon Díaz.

Com tantos craques, o River foi o clube que mais cedeu jogadores para a seleção argentina em copas do mundo. Além disso, a equipe ainda cedeu seu estádio, o Monumental de Nunez, o maior do país, para ser palco da final da Copa de 1978 vencida pela Argentina.

River Plate: fundação

O Clube Atlético River Plate (CARP) foi fundado no dia 25 de maio de 1901, na vizinhança do bairro de La Boca (que mais tarde viria a ser também casa do Boca Juniors). Seu nascimento se deu através da junção de outras duas agremiações locais, o Santa Rosa e La Rosales.

Já seu nome oficial foi definido pelos membros fundadores ao observarem inscrições “River Plate” (inglês de Rio da Prata) em caixas que estava sendo movimentadas por trabalhadores vindos do Reino Unido no Porto de Buenos Aires e que de tempos em tempos paravam para jogar futebol. A inscrição acabou inspirando o nome do tradicional clubes argentino.

Símbolo, escudo e cores: significado

Nos seus primeiros anos de história, o River Plate não possuía um escudo oficial e só passou a contar com um em 1930. Esse primeiro símbolo da equipe contava com a sigla “CARP” em vermelho e um contorno circular em volta.

O escudo do River Plate passou a tomar as formas como conhecemos apenas em 1947. Com um contorno lembrando uma camisa de futebol, o emblema do clube passou a possuir um fundo branco, com uma faixa diagonal vermelha e a sigla “CARP” em preto.

Porém em 1984, com a eleição de Hugo Santilli, o River passou por uma grande transformação em seu escudo. O novo mandatário promoveu uma mudança no emblema do time para desvincular os apelidos de “Galinhas”, que foram dados pelos rivais, torcedores do Boca Juniors. Dessa forma, um leão de camisa branca com faixa vermelha foi usado como símbolo do clube.

Contudo, essa mudança não vingou como esperado e o clube voltou a contar com seu antigo escudo, no formato tradicional. De lá para cá, apenas sutis mudanças foram feitas, não alterando o sentido do emblema da equipe.

Assim como em seu símbolo, o River também conta com uma faixa vermelha em sua camisa. Essa faixa foi adicionada ao uniforme em 1905, após uma época de carnaval. Em meio às festas, integrantes do clube roubaram uma faixa de seda vermelha no banco de trás de um táxi. Naquele momento eles perceberam que branca camisa do River Plate precisava de um “algo a mais”.

1901-1930: Primeiras décadas do clube

Primeiro título do Campeonato Argentino.

Em seus primeiros anos, o River Plate começou jogando partidas amadoras com outros times de seu bairro. O clube veio a se filiar a AFA (Federação Argentina de Futebol) apenas em 1905, quando construiu seu primeiro campo.

Após essa filiação, o clube passou a jogar as divisões inferiores do Campeonato Argentino. Nesse período, o River sofreu sua primeira baixa ao ser despejado de sua sede em 1906, por ordem do Ministério da Agricultura, voltando ao bairro de La Boca apenas em 1915.

Mesmo com essa baixa, em 1908, a equipe conseguiu montar um bom elenco e garantiu o seu primeiro acesso à primeira divisão argentina. Os lideres daquele acesso foram jogadores recém-chegados do clube, como Arturo Chiappi e José Morroni. Ambos eram exímios defensores e representavam em campo a verdadeira raça argentina.

Os dois jogadores estiveram presentes na primeira grande campanha do River Plate no cenário nacional, o vice-campeonato argentino de 1909. O clube ficou atrás apenas do poderoso Alumni (time nove vezes argentino), com uma diferença de 8 pontos na tabela geral. Algo impressionante para uma equipe recém chegada da segunda divisão.

Nos anos posteriores, o River continuou pintando sua história. Em 1913, realizou o seu primeiro jogo contra o rival Boca Juniors e logo de cara venceu por 2 a 1. Já em 1914, a equipe faturou seu primeiro titulo oficial, a Copa Campeonato, torneio realizado entre times argentinos e uruguaios.

Porém, o seu primeiro grande título só apareceu em 1920, sendo ele o Campeonato Argentino daquele ano. Em mais um formato de pontos corridos, o River faturou seu título ao terminar dois pontos à frente do Racing Club. Naquela competição, o clube desfilou sua primeira geração de ouro com o zagueiro Pedro Choperena, o meia Tomás Galanzino e o atacante Nícolas Rofrano.

1931: River recebe a alcunha de Los Millionários

Em 1931, o River Plate passou a receber mais investimentos e pôde contratar jogadores de maior destaque. Dentre eles, Carlos Peucelle por 10.000 pesos e Bernabé Ferreyra por 35.000 pesos. Tamanho investimento nunca foi visto na história do futebol argentino e assim, o clube recebeu a alcunha de Los Millionários” (“Os milionários”).

Todo esse investimento fazia muito sentido, pois esse dois jogadores eram grandes os craques da época. Peucelle, que era conhecido por ter um chute potente, vinha desempenhando um bom papel no Sportivo Buenos Aires. Já Ferreyra, que era conhecido como “Morteiro de Rufino”, chegava do Tigre como o maior ídolo do futebol argentino, além de ter sido um exímio goleador.

1938: inauguração do Monumental de Nuñez, maior da Argentina

De fato, os anos 1930 foram de grandes transformações para o River Plate, tanto que em 1938, foi inaugurado Monumental de Nuñez, seu atual estádio. Sob o nome oficial de Antonio Vespuci Liberti, então presidente do clube, o estádio se tornou um verdadeiro templo do futebol argentino. Além de ser o maior do país, foi palco para diversos jogos da seleção argentina.

O primeiro jogo oficial realizado no Monumental foi entre River Plate e Peñarol, com vitória por 3 a 1 dos argentinos. Carlos Peucelle foi o autor do primeiro gol da partida e consequentemente do estádio.

Década de 1940: Formação e auge da “La Máquina”, primeiro grande time sul-americano

Após uma boa década de 1930, com três títulos argentinos, o River Plate formava uma das melhores gerações de sua história. “La Máquina”, como era conhecida, começou a se formar em 1939, com a chegada de Angel Labruna, José Manuel Moreno e Juan Carlos Muñoz. Ambos se tornaram grandes ídolos, sendo que Moreno se tornou o maior artilheiro da história do clube e La Bruna ficou em segundo.

O auge daquela geração ocorreu entre 1941 e 1947. Sendo que o apelido “La Máquina” foi dado em 1942, pelo jornalista Ricardo Lorenzo Rodriguez, que havia se impressionado com o futebol apresentado pela equipe.

Jogadores como Félix Loustau, Adolfo Pedernera se juntaram a Moreno, Muñoz e Labruna, formando um forte quinteto de ataque. Ambos fizeram parte de um time que gostava de ter a bola nos pés e muita movimentação. Tanto que aquela equipe atuava num esboço que lembrava um “WM”, com um futebol envolvente, que enlouquecia a defesa adversária.

La máquina costumava atuar no esquema 2-3-5 com o seguinte time base: Soriano; Ferreyra, Yácono; Ricardo Vaghi, José Ramos, Rodolfi; Muñoz, Pedernera, Moreno, Lostau e Labruna. Jogadores como Alfredo Di Stefano, Néstor Rossi e Amadeo Carrizzo (maior goleiro e o que mais jogou pelo River) chegaram a partir de 1945. Durante aquele período, a equipe foi comandada pelos técnicos Renato Cesarini, José Maria Minella e Carlos Peucelle.

Aquele grande time fez diversas vitimas enquanto jogou, especialmente o seu maior rival, o Boca Juniors. Entre várias derrotas, os xeneizes sofreram uma goleada por 5 a 1 em 1941, a maior da história do El Clássico.

Além de humilhar o seu maior rival, aquela máquina ainda conquistou 4 títulos argentinos, em 1941, 1942, 1945 e 1947.

O desmanche de “La Máquina”

Por jogar um grande futebol, os jogadores da La Máquina passaram a chamar atenção de todo o planeta. Dessa forma, muitos craques daquele time deixaram o River Plate com destino a outros países.

José Emanuel deixou o clube em direção ao Chile. Enquanto, Alfredo Di Stefano Néstor Rossi e Luis Ferreyra foram para a Colômbia.

Década de 1950: ampla superioridade na Argentina

Time do River Plate multicampeão da década de 1950.

Após o período da La Máquina, o River Plate voltou a montar uma forte equipe e manteve sua superioridade na Argentina. Sob o comando do craque Omar Sívori, que chegou em 1953, o clube contou com outros bons jogadores como o atacante Walter Gómez e o ponta Santiago Vernazza. Além deles, a linha de ataque ainda contava com Labruna e Loustau, que haviam permanecido.

Esses craques ajudaram a formar um forte time base com: Carrizzo; Alfredo Perez, Lidoro Soria, Yácono; Julio Venini, Héctor Ferrari, Eliseo Prado; Labruna, Loustau, Omar Sívori e Vernazza. Nesse meio tempo aquela equipe repatriou o meio-campista Néstor Rossi e também contou com o zagueiro Federico Vairo.

Esse forte grupo fez história ao conquistar 5 títulos do Campeonato Argentino em seis anos, entre 1951 e 1957. Nesse período, Omar Sívori se destacou, inclusive no âmbito internacional, sendo eleito o melhor jogador sul-americano em 1957. O craque ainda viria a ser Bola de Ouro de 1961, já nos tempos de Juventus.

Aquele período também marcou a aposentadoria do atacante Angel de Labruna, que em 1959, pendurou as chuteiras aos 41 anos. A aposentaria do craque veio a calhar justamente às vésperas de um período nebuloso para o River Plate.

1958-1975: River Plate tem período de 18 anos de seca e muitos vices

Depois de um período mágico na década de 1950, o River Plate amargou uma má fase entre os anos 1960 e o inicio dos anos 1970. O clube não conseguiu um título sequer durante 18 anos, enfrentando o período da maior seca de sua história.

Mesmo nessa fase de seca, o River contou com um bom time com as presenças de Oscar Más, “Mostarza Melo”, o goleiro Ubaldo Fillol, Norberto Alonso e os irmãos Onega. Mas nenhum desses jogadores conseguiram trazer um título para a equipe, batendo na trave nos campeonatos argentinos de 1965,1966, 1968, 1969 e 1970. O ano de 1966 também foi marcado por mais um vice-campeonato do clube, o da Libertdaores.

Naquela competição, o River contava com uma forte equipe que tinha os seguintes jogadores: Carrizzo; Sainz, Matosas, Vieytes, Grispo; Solari, Sarnari, Ermindo Onega; Luis Cubilla, Daniel Onega e Más. Esse time conseguiu chegar até a prorrogação da grande decisão em Santiago do Chile, contra o Peñarol, mas ao apito final, acabou perdendo por 4 a 2.

Dois anos depois, o River Plate viria a enfrentar uma de suas maiores tragédias, coroando uma fase ruim sem títulos. Em junho de 1968, um acidente ocorreu no estádio Monumental de Nuñez, após o clássico entre River e Boca. A torcida xeneize tentava deixar o estádio pelo portão 12, que estava fechado, assim, vários torcedores acabaram sendo sufocados. 71 pessoas foram mortas por asfixia e outras 66 foram feridas.

Aquele período também ficou marcado para o River Plate, com a aposentadoria de um de seus maiores ídolos. O goleiro e atleta que mais jogou na equipe, Amadeo Carrizzo, deixou os gramados em 1969, aos 42 anos.

1975-1980: Labruna volta como técnico e River quebra jejum de títulos

Em 1975, o ex-atacante e ídolo do clube Angel Labruna retornava ao futebol com uma nova função, a de treinador. Dessa vez, ele teria uma missão ainda mais difícil pela frente, que era a de conquistar títulos por uma equipe que enfrentava um jejum de 18 anos.

Nessa nova era do River Plate, além do novo treinador, chegaram notáveis jogadores que se tornariam ídolos da equipe. Dentre eles estavam Roberto Perfumo e Daniel Passarella, que formaram com Fillol um sólido sistema defensivo. Além da chegada deles, outra novidade foi o retorno Oscar Más, que voltava do Real Madrid.

Esses craques comandaram um forte time base que contava com: Ubaldo Fillol; Passarella, Perfumo, Héctor López, Comelles; Alonso (Sabella), Reinaldo Merlo, Juan José Lopez; Luque (Morete), Más e Pedro Gonzalez.

Logo de cara, essa equipe conquistou o Campeonato Argentino de 1975 (que na época era denominado Metropolitano), pouco depois da chegada de Labruna. Em seguida, vieram os títulos de 1977, 1979 e 1980, confirmando o domínio do River Plate no futebol argentino.

A única baixa desse time naquele período foi amargar outro vice-campeonato de Libertadores. Dessa vez, o River parou no Cruzeiro de Piazza, Zé Carlos, Palhinha e Jairzinho. No jogo do Mineirão, os brasileiros aplicaram uma sonora goleada por 4 a 1 e na volta os argentinos venceram por 2 a 1, o que já não adiantava mais nada.

Década de 1980: finalmente, River Plate alcança a glória internacional

Na década de 1980, o River Plate passava por uma reformulação em seu elenco e logo de cara no comando técnico chegava um velho conhecido. Alfredo Di Stefano retornava ao clube que o consagrou para ser treinador, faturando logo de cara o título argentino de 1981. Nos gramados, o craque daquela conquista foi Enzo Francescoli, um dos maiores ídolos da história do clube.

Após a saída de Di Stefano, quem chegava ao comando técnico era José Manuel Vásquez e depois dele vieram importantes jogadores. Craques como Mario Kempes, Caniggia, Leonardo Astrada e Oscar Ruggeri deram as caras durante aquele período e formaram uma nova constelação do River Plate.

Posteriormente, outros técnicos chegaram e deram continuidade ao trabalho, formando uma equipe ainda mais consistente. Héctor Vieira e Carlos Timoteo Griguol foram os responsáveis por dirigir aquela forte geração do River Plate em seus tempos áureos.

Assim, com uma equipe mais calejada, o River Plate enfim conquistou seus primeiros títulos internacionais. Em 1986, o clube faturou o seu primeiro título da Libertadores e de quebra o seu primeiro e único Intercontinental (Mundial de Clubes).  Para coroar a temporada, os Millionários ainda conquistaram o Campeonato Argentino daquele mesmo ano.

1986: River Plate é campeão da Libertadores e Mundial

Primeira conquista da Libertadores.

Depois de conquistar dois vices em Libertadores (1966,1976), parecia que a sina do River Plate era conquistar um vice-campeonato da competição de 10 em 10 anos. Então, em 1986, era a vez de a equipe tentar quebrar esse tabu, ou ser taxada de “vice” pelos rivais e pela imprensa.

Para a disputa daquela edição do torneio, o River contava com mais uma forte geração de craques. Dentre os destaques estavam o zagueiro Oscar Ruggeri, o meia Norberto Alonso e os atacantes Antonio Alzamendi e Juan Gilberto Funes. Já Claudio Caniggia, apesar de ser muito badalado, não era titular absoluto daquele grupo.

Contando com esses craques, o River teve o seguinte time base na competição: Pumpido, Gordillo, Nelson Gutiérrez, Ruggeri, Montenegro; Héctor Enrique, Américo Galego, Norberto Alonso, Roque Alfaro; Alzamendi (Caniggia) e Funes. O técnico daquela equipe era Héctor Vieria.

Naquela Libertadores, apenas uma equipe se classificava por grupo, assim a missão do River era muito complicada, ao encarar um grupo com Boca Juniors, Montevideo Wanderers e Peñarol. Porém, os Millionários conseguiram tirar de letra e passaram em primeiro lugar com 11 pontos, 5 de vantagem em relação aos adversários.

Ao se classificar, o River encarou mais uma fase de grupos com Argentino Juniors e Barcelona de Guayaquil. E mais uma vez, o clube passou, porém dessa vez foi de maneira apertada. Os Millionários passaram nos critérios de desempate, pois tinham 5 pontos assim como o Argentino Juniors.

Na decisão da competiçao, a equipe encarou o América de Cali, vencendo fora de casa por 2 a 1, logo na primeira partida, com gols de Funes e Alonso. Na volta, no Monumental, mais uma vitória, por 1 a 0, com gol solitário de Funes. Assim o River garantiu seu primeiro título de Libertadores.

Conquista do primeiro e único Mundial

Ao vencer a Libertadores, o River Plate se classificou para o torneio Intercontinental, como era chamado o Mundial.  Em jogo único, no Estádio Nacional em Tóquio, os Millionários bateram o Steua Bucaresti da Romênia.

Aos 28 minutos do primeiro tempo, o atacante Alzamendi deixou sua marca e tratou de abrir o placar do jogo. O River Plate conseguiu segurar o resultado até o fim e faturou seu primeiro e único título mundial. De quebra, além de ter feito o gol, Alzamendi foi eleito o melhor jogador da partida.

Após o término daquela competição, o River Plate perdiria mais um de seus grandes craques: o meia Norberto Alonso se despedia dos gramados aos 34 anos e passou a se dedicar a seus próprios empreendimentos.

Década de 1990: River domina a Argentina, conquista mais títulos internacionais e revela muitos craques

Seguindo o exemplo de sua geração anterior, nos anos 1990, o River Plate formou mais uma forte geração de craques. Talvez essa nova safra da equipe, tenha sido ainda melhor do que a anterior. Tanto que entre 1991 e 1998, o clube revelou nomes como Ariel Ortega (1991), Matías Almeyda (1992), Hernán Crespo, Marcelo Gallardo (1993), Pablo Aimar (1997) e Saviola (1998). Nesse meio tempo, os Millionários contaram com a volta de Francescoli e as chegada do chileno Marcelo Salas e do lateral esquerdo Sorín.

Esses jogadores foram responsáveis por mais uma sequência de títulos do River Plate. Dentro do cenário nacional, essa equipe sobrou e conquistou 6 Campeonatos Argentinos. Já no cenário sul-americano não foi diferente, pois foram conquistados os títulos da Libertadores de 1996 e da Supercopa Libertadores de 1997 em cima do São Paulo.

Durante essa década de craques e conquistas, o River contou com importantes treinadores que eram ex-jogadores de destaque da equipe. Daniel Passarella assumiu o time e conquistou 3 Campeonatos Argentinos durante aquele período. Já Ramon Díaz foi um pouco mais além, pois além de faturar 3 Campeonatos Argentinos, ele faturou a Libertadores e a Supercopa Libertadores.

1996: River Plate é campeão da Libertadores

Uma década depois de vencer seu único título de Libertadores, o River Plate contava com mais uma promissora geração para a disputa de 1996. Sob o comando de um potente trio de ataque com Ortega, Francescoli e Crespo, a equipe contava com outros craques que entraram para a história.

Aquele lendário time base do River Plate contava com: Bugos; Hernán Diaz, Ayala, Rivarola, Altamirano(Sorín); Almeyda, Cedrés, Escudero; Ortega, Crespo e Francescoli. Sob o comando de Ramon Diaz, aquela equipe tinha sólida defesa e um potente contra-ataque.

Esse time com cara de Libertadores já entrou na competição em um grupo teoricamente fácil, que de quebra classificava os três primeiros colocados. Assim, o River não teve dificuldades e se classificou em primeiro, com 14 pontos, 4 à frente do segundo colocado, San Lorenzo. Além dos dois clubes argentinos, aquele grupo contava com Minervén e Caracas, ambos da Venezuela.

Nas oitavas de finais, o River também sobrou e eliminou o Sporting Crystal sem dificuldades. Porém, nas quartas de finais, passou sobre o San Lorenzo no sufoco, em um placar agregado de 3 a 2. Esse mesmo resultado também voltou a se repetir na semifinal contra a Universidade do Chile, em mais um duelo difícil.

Na decisão, mais uma vez o River encontrou pela frente o América de Cali. E o desfecho foi semelhante ao de 10 anos atrás, só que em tons mais dramáticos. No primeiro jogo, os colombianos venceram em casa por 1 a 0. Porém, os Millionários venceram por 2 a 0 no Monumental, com dois gols de Crespo, resultado que garantiu o bicampeonato da Libertadores. De quebra, o clube ainda fechou a competição com o melhor ataque, marcando14 gols.

Frustação no Mundial 1996 contra a Juventus de Zidane

No Mundial, o River teria um duelo para lá de difícil na grande decisão, contra a Juventus de Zinedine Zidane. Apesar disso, os argentinos contavam com um bom time, capaz de bater de frente com os campeões europeus.

E de fato, os Millionários conseguiram fazer frente à equipe italiana em um jogo que se arrastava para um 0 a 0. Porém, no finalzinho, Alessandro Del Piero marcou o gol que sacramentou o título da Juventus.

Década de 2000: bom início de década e novos ídolos revelados

Assim como em outras décadas, virou tradição para o River Plate formar uma grande geração de jogadores. No início dos anos 2000 e em mais um período de transição, a equipe ainda contava com o comando de Ramon Diaz, que foi importante nessa fase.

Na sequência, o clube revelou atletas que fizeram sucesso no futebol mundial e passaram por grandes equipes além do River. Dentre os principais craques revelado estão: O zagueiro Martín Demichelis, Andrés D’alessandro (2000), Mascherano (2003), Radames Falcão e Gonzalo Higuaín (2005).

Além de contar com suas pratas da casa, o clube também contou com outros craques que fizeram história. Marcelo Gallardo, Marcelo Salas e Ariel Ortega ainda permaneceram na equipe e foram importantes no comando do ataque durante um tempo. Além deles, outros jogadores como Alexís Sanchez, Rolando Zárate, Dario Conca e Maxi Lopez chegaram para compor o elenco.

Esses jogadores foram responsáveis por uma série de títulos do River Plate, mantendo a hegemonia do clube no futebol argentino. Com um elenco forte, a equipe levou o Torneio Clausura (uma de duas fases do Campeonato Argentino) dos anos 2000, 2002, 2003, 2004 e 2008. Mas é claro que essas conquistas só foram possíveis sob o comando de icônicos treinadores como Ramon Díaz e do também ídolo do clube como jogador, Leonardo Astrada.

Década de 2010: triste início de década até a hegemonia continental na Era Gallardo

Na década de 2010, o River Plate passou por uma verdadeira montanha russa. Primeiro, o clube perdeu sua hegemonia nacional caindo para a série B em 2011. Porém, conseguiu rapidamente se recuperar e deu a volta por cima para conquistar a América.

Toda essa redenção da equipe só aconteceu após a volta de um velho ídolo, Marcelo Gallardo, que retornou ao clube como treinador em 2014. Sob o seu comando, o River Plate faturou dois títulos da Libertadores, sendo eles em 2015 e 2018. Além disso, Gallardo conquistou outros importantes títulos como o Campeonato Argentino, a Copa Sulamericana, a Copa da Argentina, entre outros. Assim, ele se tornou o técnico mais vitorioso da história do clube.

Dessa forma, o River passou a ser respeitado internacionalmente, sendo mais temido por seus adversários. Mas, nenhum desses títulos seriam possíveis sem a ajuda de grandes jogadores que contribuíram com o trabalho de Gallardo.

Logo de cara, o treinador ajudou a revelar importantes craques como Exequiel Palacios (2015) e Gonzalo Montiel (2016). Além disso, o River ainda trouxe jogadores sul-americanos de renome  como Rafael Santos Borré (2017), Nicolás De La Cruz (2017), Lucas Pratto (2018), entre outros. Além disso, pôde aproveitar o futebol de outros jogadores que já estavam no River como Carlos Sánchez (2011) e Téo Gutierrez (2013),

Contando com esses craques o River Plate obteve um forte time base no período dessas suas grandes conquistas. Dentre eles estavam Franco Armani; Montiel, Maidana, Pinola (Funes Mori), Casco; Enzo Perez, Ponzio (De La Cruz), Nacho Fernandez, Palacios (Carlos Sanchez); Borré (Matías Suarez) e Lucas Pratto (Téo Gutierrez). Outros craques também tiveram passagem por esse grupo, como Ignacio Scocco, Lucas Alario, D’alessandro, entre outros.

2011: River Plate é rebaixado pela primeira vez

Único rebixamento da história do River Plate.

Após a conquista de seu último título em 2008, o River Plate passou por um período turbulento, com muitas trocas de treinadores e uma péssima administração. Diego Simeone e Néstor Gorosito foram alguns nomes que passaram pela equipe, mas não conseguiram desenvolver um bom trabalho. Daniel Passarella foi eleito para a presidência, mas não conseguiu dar jeito em clube que já estava defasado por conta da gestão passada.

O resultado disso foi o primeiro rebaixamento da história do River Plate. Após má campanha, a equipe terminou em 17º lugar do Campeonato e precisou fazer uma repescagem para não ser rebaixada. Dessa forma, bastava vencer o Belgrano para garantir lugar na primeira divisão, mas não foi isso o que aconteceu. Os adversários venceram em casa por 2 a 0 e seguraram o empate em 1 a 1 na volta, rebaixando o River em pleno Monumental de Nuñez.

A situação do River era tão complicada, que mesmo contando com um bom elenco e a experiência de Matías Almeyda, o clube não evitou o rebaixamento. O time rebaixado contava com: Carrizzo; Diaz, Ferrero, Maidana; Affranchino (Almeyda), Arano, Acevedo, Roberto Pereyra, Lamela; Pavone e Caruso.

Para a sua reconstrução, o River efetivou o recém aposentado Matías Almeyda para ser o novo treinador e contratou o experiente atacante francês David Trezeguet para o ataque. Algo que deu certo, pois a equipe fez uma boa campanha na segunda divisão. Com dois gols de Trezeguet, o herói do acesso, os Millionários venceram o jogo derradeiro contra o Almirante Brow e voltaram à primeira divisão.

2014: Volta por cima, com início da era Gallardo no comando

Matías Almeyda havia dado os primeiros passos na reconstrução do River Plate, mas a volta por cima da equipe se deu com Marcelo Gallardo. O ex-jogador do clube retornava em 2014, para dessa vez assumir o comando técnico do clube.

Logo de cara, o treinador trouxe o título do Torneio Final de 2014, que naquele ano equivalia como o Campeonato Argentino (inclusive foi o último título do River Plate no Campeonato Argentino). Ainda naquele ano, Gallardo faturou o título da Copa Sul-americana, o primeiro da história do clube. Foram esses títulos que abriram uma era vitoriosa do treinador frente à equipe.

Nos anos seguintes, Gallardo ainda faturaria três títulos da Copa Argentina (2015-16, 2016-17 e 2018-19), um tricampeonato da Recopa Sul-americana (2015, 2016 e 2019), um bicampeonato da Supercopa Argentina (2017 e 2019) e uma Copa Suruga (2015). Mas nenhuma dessas conquistas chamou mais atenção do que o bicampeonato da Libertadores, que ele também conquistou.

2015: Libertadores após quase 2 décadas

Em 2015, o River Plate estava mais confiante para a disputa da Libertadores. Até porque, na temporada anterior, havia conquistado os títulos do Campenato Argentino e da Sulamericana.

Além disso, a equipe contava com importantes jogadores como Carlos Sanchez, Lucas Alario, Lucho Gonzales, entre outros. Assim, o River contou com o seguinte time base para a Libertadores: Barovero; Mayada, Maidana, Funes Mori, Vangioni; Carlos Sanchez, Ponzio, Lucho, Bertolo; Pisculichi, Alario (Driussi).

Na fase de grupos, o River encarou Tigres do México, Juan Aurich do Peru e San José da Bolívia. Esse grupo até parecia fácil, porém foi muito mais difícil do que muitos imaginavam. Até porque, os Millionários passaram na bacia das almas, em uma segunda posição com um ponto à frente dos peruanos do Aurich.

Nas oitavas, o River encarou o Boca Juniors e como costume do El Clássico, o jogo deu o que falar. Após vitória do River no Monumental por 1 a 0, o jogo em La Bombonera foi interrompido após torcedores xeneizes jogarem spay de pimenta nos jogadores rivais. Assim, o Boca foi punido e desclassificado.

Na sequência, os Millionários ainda eliminaram Cruzeiro e Guarani do Paraguai para chegar à final contra o Tigres. Nesse reencontro, o River segurou um 0 a 0 no México e na volta venceu por um sonoro 3 a 0 no Monumental. Com gols de Alário, Sanchez e Funes Mori.

Após vencer a Libertadores, o River Plate foi para o mundial tentar repetir a conquista de 1986. Na semifinal do mundial, enfrentou o  Sanfrecce Hiroshima, porém na final não conseguiu suportar o forte Barcelona do tridente Messi, Neymar e Suárez. Suárez e Messi garantiram o 3 a 0 que acabou com as esperanças do segundo título mundial dos argentinos.

2018: River é campeão da Libertadores contra o Boca jrs. na Espanha

Após vencer a Libertadores de 2015, o River Plate continuou fazendo boas campanhas na competição. Um destaque vai para a campanha de 2017, em que a equipe conseguiu reverter um resultado de 3 a 0 nas quartas de finais contra o Jorge Wilstermann. Na ocasião, os Millionários aplicaram um 8 a 0 no jogo de volta, no Monumental. A campanha se encerraria na semifinal, quando perdeu para o Lanús da Argentina.

Na briga pelo título de 2018, o River ainda contava com uma forte equipe comandada por Montiel, Borré, Palacios e Enzo Perez. Junto com eles, o River tinha o seguinte time base: Armani, Lucas Martínez, Maidana, Pinola; Montiel, Palácios, Perez, Casco, Gonzalo Martinez; Borré e Pratto.

Na fase inicial, a equipe passou por um grupo complicado que contava com Flamengo, Santa Fé da Colômbia e Emelec do Equador. Porém, o River conseguiu se classificar em primeiro lugar com 12 pontos, 2 à frente do Flamengo.

Na sequência, o River passou por dois argentinos nas fases seguintes, Racing e Independiente. Assim, a equipe encarou o atuou campeão Grêmio de Renato Gaúcho na semifinal. Após perder por 1 a 0 fora de casa, os argentinos venceram na volta 2 a 1, com um gol polêmico que rendeu a classificação.

Na decisão, mais outra polêmica, dessa vez contra o maior rival, o Boca Juniors. No jogo de ida, tudo ocorreu normalmente em La Bombonera, com empate em 2 a 2. Porém, às vésperas do duelo no Monumental, a torcida do River atacou o ônibus dos jogadores do Boca com pedradas, ferindo jogadores. Dessa forma, a Conmebol preferiu transferir a decisão para Madrid, longe de ambas as torcidas.

Nesse jogo, o River venceu por 3 a 1, contando com a prorrogação. Os gols desse duelo foram marcados por Pratto, Quintero e Gonzalo Martínez. Assim, os Millionários conquistavam a sua 4º Libertadores.

Decepção no Mundial de 2018

No Mundial de Clubes de 2018, o mundo aguardava para assistir um jogo entre River Plate e Real Madrid, que eram as melhores equipes do ano. Porém, não foi isso o que aconteceu e os argentinos caíram ainda na semifinal.

O River ficou apenas no empate em 2 a 2 no duelo contra o Al Ain, levando o confronto para as penalidades. Quando todos os jogadores estavam acertando suas cobranças, Enzo Perez foi barrado pelo goleiro adversário, decretando a eliminação de sua equipe.

Assim, os Millionários tiveram que se conformar com o terceiro lugar da competição, ao vencer o Kashima Antlers por 4 a 0.

2019: Flamengo e River Plate fazem final da Libertadores

River Plate perde para o Flamengo na final da Libertadores 2019.

Mantendo a sua forte base, o River Plate chegava a Libertadores de 2019 como um franco favorito. Em relação à temporada anterior, a equipe perdeu apenas Gonzalo Martínez e Maidana, porém passou a contar com as presenças de Nicolás de La Cruz, Nacho Fernandez e Matías Suarez.

Assim, os Millionários tinham o seguinte time-base: Armani; Montiel, Martìnez, Pinola, Casco; Enzo Pérez, Nacho, Palacios, De La Cruz; Borré e Suarez.

Na fase de grupos da competição, o River Plate passou em segundo lugar em um grupo que tinha Internacional, Palestino do Chile e Alianza Lima do Peru. Dessa forma, o River encarou o Cruzeiro nas oitavas de finais e passou nas penalidades. Na sequencia, eliminou Cerro Porteño e Boca Juniors para chegar à decisão contra o Flamengo.

Em jogo único, conforme o novo regulamento da competição, o palco da decisão, em jogo único, foi Estádio Monumental de Lima. Inclusive, aquela partida deveria ter sido realizada no Chile, mas as ondas de protestos no país impediram que tal evento ocorresse.

Com a bola rolando, o River abriu o placar com gol de Borré logo no início. O jogo se encaminhava para uma suada vitória dos argentinos, até que nos minutos finais tudo mudou. Os rubro-negros viraram o jogo já nos acréscimos, com dois gols de Gabriel Barbosa, que garantiu o título flamenguista.

2020-2021: Fim da Era Gallardo?

Após tanto tempo na equipe do River Plate, Marcelo Gallardo se consolidou como o técnico mais vitorioso da história do clube. Entre tantas conquistas, ele foi capaz de conseguir dois títulos da Libertadores em 2015 e 2018. Sob seu comando a equipe ainda conseguiu um vice-campeonato em 2019 e chegou a duas semifinais em 2017 e 2020.

Porém, todo ciclo de um treinador sempre tem um final e após a eliminação para o Palmeiras em 2020, esse ponto foi levado em consideração. Gallardo ainda não renovou o seu contrato com o River e o clube estuda se está na hora de tentar iniciar uma nova era com outro profissional. Assim, equipes brasileiras como São Paulo FC e Flamengo chegaram a sondar o técnico, que por muitas também tem seu nome vinculado ao futebol europeu.

Mesmo com essa questão, é inegável a importância de Gallardo no clube. Tanto que muitos adeptos do River propuseram que fosse construída uma estátua em homenagem ao treinador, embora esse projeto ainda não tenha sido colocado em prática.

 

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